{"id":85,"date":"2013-06-10T01:31:49","date_gmt":"2013-06-10T04:31:49","guid":{"rendered":"http:\/\/biucsproject.org\/blog\/?page_id=85"},"modified":"2013-06-13T23:42:43","modified_gmt":"2013-06-14T02:42:43","slug":"apocalipse","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/apocalipse\/","title":{"rendered":"Apocalipse"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/music\/general\/general_109141.htm\" height=\"41\" width=\"68\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p align=\"center\"><b><span style=\"font-size: xx-large;\">Sonhos &#8211; O Dem\u00f4nio Chor\u00e3o<\/span><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Eu era humano. \u00c9 uma hist\u00f3ria est\u00fapida!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Antigamente este era um bonito campo florido. Ent\u00e3o, as bombas nucleares, os m\u00edsseis transformaram-no neste deserto. Ent\u00e3o daquelas cinzas da morte, estranhas flores desabrocharam. Dentes-de-le\u00e3o monstruosos. Isto \u00e9 uma rosa. O caule sai da flor e h\u00e1 um bot\u00e3o esquisito em cima. Est\u00e1 carregada de radia\u00e7\u00e3o. Causa essa muta\u00e7\u00e3o. As flores est\u00e3o mutiladas. N\u00e3o apenas as flores, os seres humanos, tamb\u00e9m. Olhe para mim, humanidade est\u00fapida fez isso. Fez de nosso planeta um dep\u00f3sito para res\u00edduos venenosos. A natureza desapareceu da Terra, a natureza que am\u00e1vamos. Perdemos os p\u00e1ssaros, os animais, os peixes. H\u00e1 algum tempo, v\u00ed uma lebre com duas caras, um p\u00e1ssaro com um olho s\u00f3 e um peixe com pelos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o h\u00e1 alimento! Comemos uns aos outros. Os mais fracos primeiro. Est\u00e1 chegando a minha vez. Mesmo entre os dem\u00f4nios h\u00e1 hierarquia. Dem\u00f4nios de um chifre, como eu, s\u00e3o sempre comidos pelos que t\u00eam dois ou tr\u00eas chifres. Quando humanos, eram poderosos e presun\u00e7osos. Como dem\u00f4nios continuam os mesmos. Que seja como eles querem. Que tenham um monte de chifres. Que vivam atormentados com a apar\u00eancia que t\u00eam. \u00c9 um inferno. Pior que a morte. N\u00e3o podem morrer. Mesmo querendo. A imortalidade \u00e9 o castigo deles. Atormentados pelos pr\u00f3prios pecados, v\u00e3o sofrer eternamente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Logo v\u00e3o me comer. Ficarei livre. Mas n\u00e3o quero ser comido. Por isso, estou fugindo. Mas sinto tanta fome que tenho nojo de mim mesmo. Eu era fazendeiro quando era humano. Jogava leite no rio para manter os pre\u00e7os. Enterrei batatas e repolhos com escavadeira. Que estupidez!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando chega a noite os dem\u00f4nios urram de dor. Os chifres doem. \u00c9 pior que o c\u00e2ncer. Clamam pela morte, mas v\u00e3o viver eternamente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">(Extra\u00eddo do filme &#8220;Dreams&#8221; de Akira Kurosawa)<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#8220;- O inferno dos vivos n\u00e3o \u00e9 algo que ser\u00e1; se existe, \u00e9 aquele que j\u00e1 est\u00e1 aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de n\u00e3o sofrer. A primeira \u00e9 f\u00e1cil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste at\u00e9 o ponto de deixar de perceb\u00ea-lo. A segunda \u00e9 arriscada e exige aten\u00e7\u00e3o e aprendizagem cont\u00ednuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, n\u00e3o \u00e9 inferno, e preserv\u00e1-lo, e abrir espa\u00e7o.&#8221;<br \/>\n(Marco Polo em As Cidades Invis\u00edveis, Italo Calvino, 2000, Companhia das Letras)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sonhos &#8211; O Dem\u00f4nio Chor\u00e3o Eu era humano. \u00c9 uma hist\u00f3ria est\u00fapida! Antigamente este era um bonito campo florido. 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