{"id":67,"date":"2013-06-10T01:00:43","date_gmt":"2013-06-10T04:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/biucsproject.org\/blog\/?page_id=67"},"modified":"2013-06-13T23:38:26","modified_gmt":"2013-06-14T02:38:26","slug":"o-anel-de-giges","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/justica-universal\/o-anel-de-giges\/","title":{"rendered":"O Anel de Giges"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/music\/general\/philosophy_giges_ring.htm\" height=\"41\" width=\"68\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p align=\"justify\">O que voc\u00ea faria se fosse invenc\u00edvel? Invis\u00edvel?<\/p>\n<p>O que voc\u00ea faria se nenhuma Lei humana pudesse lhe afetar? O que voc\u00ea n\u00e3o faria?<\/p>\n<p>Eis a resposta:<\/p>\n<p>COMTE-SPONVILLE, Andr\u00e9. A moral. In:\u00a0<b>Apresenta\u00e7\u00e3o da filosofia.<\/b>\u00a0S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2002, p.17-26.<br \/>\n(<i>Adapta\u00e7\u00f5es por Andr\u00e9 Alc\u00e2ntara<\/i>)<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: x-large;\">A moral<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><i>\u00c9 melhor ser S\u00f3crates insatisfeito do que um porco satisfeito: \u00e9 melhor ser S\u00f3crates insatisfeito do que um imbecil satisfeito. E, se o imbecil ou o porco s\u00e3o de opini\u00e3o diferente, \u00e9 que s\u00f3 conhecem um lado da quest\u00e3o: o deles. A outra parte, para fazer a compara\u00e7\u00e3o, conhece os dois lados.<br \/>\n<\/i>(John Stuart Mill)<\/p>\n<p align=\"justify\">As pessoas se enganam sobre a moral. Em primeiro lugar, ela n\u00e3o existe para punir, para reprimir, para condenar. Para isso h\u00e1 os tribunais, os policiais, as pris\u00f5es, que ningu\u00e9m confundiria com uma moral.\u00a0<b>S\u00f3crates morreu na pris\u00e3o, mas livre por\u00e9m que seus ju\u00edzes.<\/b>\u00a0\u00c9 a\u00ed que a filosofia talvez comece. \u00c9 a\u00ed que a moral come\u00e7a, para cada um, e sempre recome\u00e7a: onde nenhuma puni\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, onde nenhuma repress\u00e3o \u00e9 eficaz, onde nenhuma condena\u00e7\u00e3o, em todo caso nenhuma condena\u00e7\u00e3o exterior, \u00e9 necess\u00e1ria. A moral come\u00e7a onde somos livres: ela \u00e9 essa liberdade mesma, quando ela se julga e se comanda.<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Voc\u00ea bem que gostaria de roubar aquele disco ou aquela roupa na loja&#8230;<\/b>\u00a0Mas um seguran\u00e7a est\u00e1 observando, ou ent\u00e3o h\u00e1 um sistema de vigil\u00e2ncia eletr\u00f4nica, ou simplesmente voc\u00ea tem medo de ser pego, punido, condenado&#8230; N\u00e3o se trata de honestidade; trata-se de c\u00e1lculo. N\u00e3o \u00e9 moral; \u00e9 precau\u00e7\u00e3o. O medo do policial \u00e9 o contr\u00e1rio da virtude, ou s\u00f3 tem a virtude da prud\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Imagine, ao contr\u00e1rio, que voc\u00ea tenha aquele anel que Plat\u00e3o evoca, o c\u00e9lebre\u00a0<b><i>anel de Giges<\/i><\/b>, que tornaria voc\u00ea invis\u00edvel sempre que voc\u00ea desejasse&#8230; \u00c9 um anel m\u00e1gico, que um pastor encontra por acaso. Basta virar a pedra do anel para dentro da palma para se tornar totalmente invis\u00edvel, e vir\u00e1-la para fora para ficar novamente vis\u00edvel&#8230;\u00a0<b>Giges, que antes era tido como um homem honesto, n\u00e3o foi capaz de resistir \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es a que esse anel o submetia:<\/b>aproveitou seus poderes m\u00e1gicos para entrar no pal\u00e1cio, seduzir a rainha, assassinar o rei, tomar o poder, exerc\u00ea-lo em seu \u00fanico e exclusivo benef\u00edcio&#8230; Quem conta a coisa, em\u00a0<b>A rep\u00fablica<\/b>, conclui que o bom e o mau, ou os assim considerados, s\u00f3 se distinguem pela prud\u00eancia ou pela hipocrisia, em outras palavras, pela import\u00e2ncia desigual que d\u00e3o ao olhar alheio ou por sua habilidade maior ou menor para se esconder&#8230;\u00a0<b>Se ambos possu\u00edssem o anel de Giges, nada mais os distinguiria:<\/b>\u00a0&#8220;ambos tenderiam para o mesmo fim&#8221;. Isso equivale a sugerir que a moral n\u00e3o passa de uma ilus\u00e3o, de uma mentira, de um medo maquiado de virtude. Bastaria poder ficar invis\u00edvel para que toda proibi\u00e7\u00e3o sumisse e que, para cada um, n\u00e3o houvesse mais que a busca do seu prazer ou do seu interesse ego\u00edstas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ser\u00e1 verdade? Plat\u00e3o, claro, est\u00e1 convencido do contr\u00e1rio. Mas ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a ser plat\u00f4nico&#8230; A \u00fanica resposta v\u00e1lida, para voc\u00ea, est\u00e1 em voc\u00ea. Imagine, \u00e9 uma experi\u00eancia de pensamento, que voc\u00ea tem esse anel.\u00a0<b>O que voc\u00ea faria? O que n\u00e3o faria?<\/b>\u00a0Continuaria, por exemplo, a respeitar a propriedade do outro, a intimidade dele, seus segredos, sua liberdade, sua dignidade, sua vida? Ningu\u00e9m pode responder em seu lugar: essa quest\u00e3o s\u00f3 se dirige a voc\u00ea, mas a voc\u00ea por inteiro. O que voc\u00ea n\u00e3o faz, mas faria, se fosse invis\u00edvel, decorre menos da moral do que da prud\u00eancia ou da hipocrisia. Em compensa\u00e7\u00e3o, o que, mesmo invis\u00edvel, voc\u00ea continuaria a se impor ou a se proibir, n\u00e3o por interesse mas por dever,\u00a0<b>s\u00f3 isso \u00e9 estritamente moral<\/b>. Sua alma tem a pedra de toque dela. Sua moral tem a pedra de toque dela, em que voc\u00ea julga a si mesmo. Sua moral? O que voc\u00ea exige de voc\u00ea mesmo, n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do olhar alheio ou de determinada amea\u00e7a exterior, mas em nome de certa concep\u00e7\u00e3o do bem e do mal, do dever e do proibido, do admiss\u00edvel e do inadmiss\u00edvel, enfim da humanidade e de voc\u00ea mesmo. Concretamente: o conjunto das regras a que voc\u00ea se submeteria,\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\"><i>mesmo que fosse invis\u00edvel e invenc\u00edvel<\/i><\/span>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 muito? \u00c9 pouco? Cabe a voc\u00ea decidir. Voc\u00ea aceitaria, por exemplo, se pudesse ficar invis\u00edvel, mandar condenar um inocente, trair um amigo, martirizar uma crian\u00e7a, estuprar, torturar, assassinar? A resposta depende \u00fanica e exclusivamente de voc\u00ea; voc\u00ea, moralmente falando, depende \u00fanica e exclusivamente da sua resposta. N\u00e3o tem o anel? Isso n\u00e3o o dispensa de refletir, de julgar, de agir. Se h\u00e1 diferen\u00e7a que n\u00e3o seja apenas aparente entre um canalha e uma pessoa de bem, \u00e9 que o olhar dos outros n\u00e3o \u00e9 tudo, que a prud\u00eancia n\u00e3o \u00e9 tudo. \u00c9 essa a aposta da moral e sua solid\u00e3o derradeira: toda moral \u00e9 rela\u00e7\u00e3o com o outro, s\u00f3 que de si consigo. Agir moralmente \u00e9 levar em conta os interesses do outro, por certo, mas \u201csem que os deuses e os homens saibam\u201d, como diz Plat\u00e3o; em outras palavras, sem recompensa nem castigo poss\u00edvel e sem necessitar para tanto de nenhum outro olhar al\u00e9m do seu mesmo. Uma aposta? Estou me exprimindo mal, j\u00e1 que, mais uma vez, a resposta depende \u00fanica e exclusivamente de voc\u00ea. N\u00e3o \u00e9 uma aposta, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. S\u00f3 voc\u00ea sabe o que deve fazer, e ningu\u00e9m pode decidir em seu lugar. Solid\u00e3o e grandeza da moral: voc\u00ea vale \u00fanica e exclusivamente pelo bem que faz, pelo mal que se pro\u00edbe fazer, sem nenhum outro benef\u00edcio al\u00e9m da satisfa\u00e7\u00e3o de fazer o bem \u2013\u00a0<b>mesmo que ningu\u00e9m jamais venha a saber do seu feito<\/b>.<\/p>\n<p align=\"justify\">(&#8230;) Voc\u00ea\u00a0<i>vale<\/i>\u00a0exatamente o que voc\u00ea\u00a0<i>quer<\/i>.<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>O que \u00e9 a moral?<\/b>\u00a0\u00c9 o conjunto do que um indiv\u00edduo se imp\u00f5e ou pro\u00edbe a si mesmo, n\u00e3o para, antes de mais nada, aumentar sua felicidade ou seu bem-estar pr\u00f3prios, o que n\u00e3o passaria de ego\u00edsmo, mas para levar em conta os interesses ou os direitos\u00a0<i>do outro<\/i>, mas para n\u00e3o ser um canalha, mas para permanecer fiel a certa id\u00e9ia da humanidade e de si. A moral responde \u00e0 pergunta; \u201cO que devo fazer?\u201d \u00c9 o conjunto dos meus deveres, em outras palavras, dos imperativos que reconhe\u00e7o leg\u00edtimos \u2013 mesmo que, \u00e0s vezes, como todo o mundo, eu os viole. \u00c9 a lei que imponho a mim mesmo, ou que deveria me impor, independentemente do olhar do outro e de qualquer san\u00e7\u00e3o ou recompensa esperadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO que devo fazer?\u201d e n\u00e3o: \u201cO que os outros devem fazer?\u201d \u00c9 o que distingue a moral do moralismo. \u201cA moral\u201d, dizia Alain, \u201cnunca \u00e9 para o vizinho\u201d: quem se preocupa com os deveres do vizinho n\u00e3o \u00e9 moral, \u00e9 moralizador.\u00a0<b>Existe esp\u00e9cie mais desagrad\u00e1vel?<\/b>\u00a0Existe discurso mais in\u00fatil? A moral s\u00f3 \u00e9 leg\u00edtima na primeira pessoa. Dizer a algu\u00e9m: \u201cvoc\u00ea tem de ser generoso\u201d n\u00e3o \u00e9 prova de generosidade. Dizer-lhe: \u201cvoc\u00ea tem de ser corajoso\u201d n\u00e3o \u00e9 dar prova de coragem. A moral s\u00f3 vale para si mesmo. Para os outros, a miseric\u00f3rdia e o direito bastam.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quanto ao mais, quem pode conhecer as inten\u00e7\u00f5es, as desculpas ou os m\u00e9ritos alheios? Ningu\u00e9m, moralmente falando, pode ser julgado, a n\u00e3o ser por Deus, se Deus existir, ou por si mesmo, e isso j\u00e1 constitui uma exist\u00eancia mais que suficiente. Voc\u00ea foi ego\u00edsta? Foi covarde? Aproveitou-se da fraqueza do outro, da sua desgra\u00e7a, da sua candura? Voc\u00ea mentiu, roubou, violentou? Voc\u00ea sabe muito bem,\u00a0<b>e esse saber de si para consigo \u00e9 o que se chama consci\u00eancia<\/b>, que \u00e9 o \u00fanico juiz, em todo caso o \u00fanico, moralmente falando, que importa. Um processo? Uma multa? Uma pena de pris\u00e3o? N\u00e3o passa da justi\u00e7a dos homens: n\u00e3o passa de direito e pol\u00edcia. Quantos canalhas em liberdade? Quanta gente boa na pris\u00e3o? Voc\u00ea pode estar em regra com a sociedade, o que sem d\u00favida nenhuma \u00e9 necess\u00e1rio. Mas isso n\u00e3o dispensa voc\u00ea estar em regra consigo mesmo, com sua consci\u00eancia, e essa \u00e9 na verdade a \u00fanica regra.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quer dizer ent\u00e3o que h\u00e1 tantas morais quantos s\u00e3o os indiv\u00edduos? De jeito nenhum. E a\u00ed est\u00e1 o paradoxo da moral: ela s\u00f3 vale na primeira pessoa mas universalmente, em outras palavras para todo ser humano (j\u00e1 que todo ser humano \u00e9 um \u201ceu\u201d). Pelo menos \u00e9 assim que a vivemos. Sabemos perfeitamente, na pr\u00e1tica, que h\u00e1 morais diferentes, que dependem da educa\u00e7\u00e3o recebida, da sociedade ou da \u00e9poca em que as pessoas vivem, dos meios que freq\u00fcentam, da cultura com a qual elas de identificam&#8230; N\u00e3o h\u00e1 moral absoluta, ou ningu\u00e9m tem acesso absoluto a ela. Mas, quando eu me pro\u00edbo a crueldade, o racismo ou o assassinato, sei tamb\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o-somente uma quest\u00e3o de prefer\u00eancia, que dependeria do gosto de cada um. \u00c9 antes de mais nada uma condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia e de dignidade para a sociedade, para qualquer sociedade, em outras palavras para a humanidade ou a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">(&#8230;)<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<b>Se Deus n\u00e3o existe, tudo \u00e9 permitido<\/b>\u201d, diz um personagem de Dostoi\u00e9vski. N\u00e3o \u00e9 verdade, porque, crente ou n\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o se permite tudo:\u00a0<i>tudo<\/i>, inclusive o pior, n\u00e3o seria digno de voc\u00ea!<\/p>\n<p align=\"justify\">O crente que respeitasse a moral \u00fanica e exclusivamente para alcan\u00e7ar o Para\u00edso, \u00fanica e exclusivamente por temer o Inferno, n\u00e3o seria virtuoso:\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">n\u00e3o passaria de um ego\u00edsta prudente.<\/span>\u00a0Quem faz o bem \u00fanica e exclusivamente para a sua pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais ou menos o que Kant explica, n\u00e3o faz o bem e n\u00e3o \u00e9 salvo. Quer dizer que uma a\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 boa, moralmente falando, se for realizada, como novamente diz Kant, \u201csem nada esperar por ela\u201d. \u00c9 a\u00ed que entramos, moralmente falando, na modernidade, em outras palavras, na laicidade (no bom sentido do termo: no sentido em que um crente pode ser t\u00e3o laico quanto um ateu). (&#8230;)\u00a0<b>N\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o que funda a moral; \u00e9 antes a moral que funda ou justifica a religi\u00e3o.<\/b>\u00a0N\u00e3o \u00e9 porque Deus existe que devo agir bem; \u00e9 porque devo agir bem que posso necessitar \u2013 n\u00e3o para ser virtuoso, mas para escapar do desespero \u2013 de crer em Deus. N\u00e3o \u00e9 porque Deus me ordena uma coisa que ela \u00e9 boa; \u00e9 porque um mandamento \u00e9 moralmente bom que posso supor que ele vem de Deus. Assim, a moral n\u00e3o pro\u00edbe que se creia, ela at\u00e9 leva, segundo Kant, \u00e0 religi\u00e3o. Mas n\u00e3o depende dela e n\u00e3o poderia se reduzir a ela.\u00a0<b><span style=\"text-decoration: underline;\">Mesmo se Deus n\u00e3o existisse, mesmo se n\u00e3o houvesse nada depois da morte, isso n\u00e3o dispensaria voc\u00ea de cumprir com o seu dever, em outras palavras, de agir humanamente.<\/span><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que voc\u00ea faria se fosse invenc\u00edvel? Invis\u00edvel? O que voc\u00ea faria se nenhuma Lei humana pudesse lhe afetar? 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