{"id":63,"date":"2013-06-10T00:58:26","date_gmt":"2013-06-10T03:58:26","guid":{"rendered":"http:\/\/biucsproject.org\/blog\/?page_id=63"},"modified":"2013-06-10T00:59:40","modified_gmt":"2013-06-10T03:59:40","slug":"beijos-e-abracos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/justica-universal\/beijos-e-abracos\/","title":{"rendered":"Beijos e Abra\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b><span style=\"font-size: xx-large;\">As v\u00e1rias linguagens<br \/>\n<\/span><\/b><i><span style=\"font-size: large;\">Beijos e Abra\u00e7os<\/span><\/i><\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/beijos_abracos.jpg\" width=\"450\" height=\"348\" align=\"right\" border=\"0\" \/>Os franceses se beijam, e n\u00e3o apenas quando est\u00e3o se condecorando. Mas dois franceses s\u00f3 chegam ao ponto de se beijar no fim de um longo processo de desinformaliza\u00e7\u00e3o do seu relacionamento, que come\u00e7a quando um prop\u00f5e ao outro que abandone o &#8220;vous&#8221;, e eles passem a se tratar por &#8220;tu&#8221;, geralmente depois de se conhecer por alguns anos. N\u00e3o sei se existe um prazo certo para o &#8220;vous&#8221; dar lugar ao &#8220;tu&#8221;, mas \u00e9 um passo importante, e at\u00e9 ele ser dado o cumprimento entre os dois jamais passar\u00e1 de um seco aperto de m\u00e3os.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os russos se beijam com qualquer pretexto e dizem que a progress\u00e3o, l\u00e1, n\u00e3o \u00e9 do aperto de m\u00e3o para o abra\u00e7o e o beijo, mas de beijos protocolares para beijos cada vez mais longos e estalados. Na It\u00e1lia, os homens andam de bra\u00e7os dados na rua, sem que isso indique que s\u00e3o noivos, e o beijo entre amigos tamb\u00e9m \u00e9 comum. Os anglo-sax\u00f5es s\u00e3o mais comedidos e mesmo os americanos, que s\u00e3o ingleses sem barbatana, reagem quando voc\u00ea, esquecendo onde est\u00e1, amea\u00e7a abra\u00e7\u00e1-los. Ningu\u00e9m \u00e9 mais informal que um americano, ningu\u00e9m mais antifranc\u00eas na velocidade com que chega \u00e0 etapa equivalente ao &#8220;tu&#8221; sem nenhum ritual intermedi\u00e1rio, mas a informalidade n\u00e3o se estende \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o f\u00edsica. At\u00e9 aquele nosso h\u00e1bito de bater no bra\u00e7o do outro quando se aperta a m\u00e3o, aquela amostra gr\u00e1tis de abra\u00e7o, eles estranham.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 n\u00f3s somos da terra do abra\u00e7o; mas tamb\u00e9m temos nossas hesita\u00e7\u00f5es afetivas. O brasileiro \u00e9 expansivo, mas tem, ao mesmo tempo, um certo pudor dos seus sentimentos. O meio-termo encontrado \u00e9 o insulto carinhoso.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se \u00e9 uma caracter\u00edstica exclusivamente brasileira, mas \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>&#8211; Seu filho da m\u00e3e!<br \/>\n&#8211; Seu cafajeste!<\/p>\n<p>S\u00e3o dois amigos que se encontram.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, S\u00f3 me faltava encontrar voc\u00ea. Estragou meu dia.<br \/>\n&#8211; Este lugar j\u00e1 foi mais bem freq\u00fcentado&#8230;<\/p>\n<p>Depois dos insultos, se abra\u00e7am com f\u00faria. Os sonoros tapas nas costas &#8211; outra institui\u00e7\u00e3o brasileira &#8211; chegam ao limite entre a cordialidade e a costela partida.<\/p>\n<p>Eles se adoram, mas que ningu\u00e9m se engane. \u00c9 amor de homem. Quanto maior a amizade, maior a agress\u00e3o. E voc\u00ea pode ter certeza que dois brasileiros s\u00e3o \u00edntimos quando p\u00f5em a m\u00e3e no meio. A m\u00e3e \u00e9 o \u00faltimo tabu brasileiro. Voc\u00ea s\u00f3 insulta a m\u00e3e do seu melhor amigo.<\/p>\n<p>&#8211; Sua m\u00e3e continua na zona?<br \/>\n&#8211; Aprendendo com a sua.<br \/>\n&#8211; D\u00e1 c\u00e1 um abra\u00e7o!<\/p>\n<p>E l\u00e1 v\u00eam os tapas.<\/p>\n<p>Um estrangeiro despreparado pode levar alguns sustos antes de se acostumar com a nossa selvageria amorosa.<\/p>\n<p>&#8211; Cr\u00e1pula!<br \/>\n&#8211; Vigarista!<br \/>\n&#8211; Farsante!<br \/>\n&#8211; My God! Eles v\u00e3o se matar!<\/p>\n<p>N\u00e3o se matam. Se abra\u00e7am, \u00e0s gargalhadas. Talvez ensaiem alguns socos nos bra\u00e7os ou simulem direitos no queixo. Mas s\u00e3o amigos. Depois de algum tempo o estrangeiro se acostuma com cenas como esta. At\u00e9 acha gra\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; Olha aqueles dois se batendo. At\u00e9 parece briga. Um est\u00e1 batendo na cara do outro. Devem ser muito amigos. Agora trocam pontap\u00e9s. \u00c9 enternecedor. Agora um pega uma pedra do ch\u00e3o e&#8230; Acho que \u00e9 briga mesmo!<\/p>\n<p>\u00c0s vezes \u00e9 briga mesmo.<\/p>\n<p><b>(VERISSIMO, Luis Fernando. O Estado de S. Paulo 09\/11\/1992.)<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As v\u00e1rias linguagens Beijos e Abra\u00e7os Os franceses se beijam, e n\u00e3o apenas quando est\u00e3o se condecorando. 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