{"id":56,"date":"2013-06-10T00:54:09","date_gmt":"2013-06-10T03:54:09","guid":{"rendered":"http:\/\/biucsproject.org\/blog\/?page_id=56"},"modified":"2013-06-13T23:34:20","modified_gmt":"2013-06-14T02:34:20","slug":"carta-ao-chefe-branco","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/justica-universal\/carta-ao-chefe-branco\/","title":{"rendered":"Carta ao Chefe Branco"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/music\/general\/general_white_boss.htm\" height=\"41\" width=\"68\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><br \/>\n<b><span style=\"font-size: xx-large;\">Carta do cacique ao Grande Chefe branco<\/span><\/b><\/p>\n<p align=\"justify\"><i>Hist\u00f3ria ver\u00eddica ocorrida no ano de 1854, quando o presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, Franklin Pierce, quis comprar o territ\u00f3rio da tribo duwamish. O cacique Seathl, um chefe ind\u00edgena muito s\u00e1bio, escreveu ent\u00e3o uma carta ao Grande Chefe branco:<\/i><\/p>\n<p>Como \u00e9 que se pode<br \/>\ncomprar ou vender o c\u00e9u, o calor<br \/>\nda terra? Essa id\u00e9ia<br \/>\nnos parece estranha. Se<br \/>\nn\u00e3o possu\u00edmos o frescor do ar e<br \/>\no brilho da \u00e1gua, como<br \/>\n\u00e9 poss\u00edvel compr\u00e1-los?<br \/>\nCada peda\u00e7o desta terra \u00e9 sagrado para meu<br \/>\npovo. Cada ramo brilhante de um pinheiro,<br \/>\ncada punhado de areia das praias,<br \/>\na penumbra na floresta densa, cada clareira<br \/>\ne inseto a zumbir s\u00e3o sagrados na mem\u00f3ria<br \/>\ne experi\u00eancia de meu povo. A seiva que<br \/>\npercorre o corpo das \u00e1rvores carrega<br \/>\nconsigo as lembran\u00e7as do homem vermelho.<br \/>\nOs mortos do homem branco esquecem sua<br \/>\nterra de origem quando v\u00e3o caminhar entre<br \/>\nas estrelas. Nossos mortos jamais<br \/>\nesquecem esta bela terra, pois ela \u00e9 a m\u00e3e<br \/>\ndo homem vermelho.<br \/>\nSomos parte da terra e ela faz parte<br \/>\nde n\u00f3s. Os picos rochosos, os sulcos<br \/>\n\u00famidos nas campinas, o calor do corpo do potro<br \/>\ne o homem &#8211; todos pertencem \u00e0 mesma fam\u00edlia.<br \/>\nPortanto, quando o Grande Chefe em<br \/>\nWashington manda dizer que deseja comprar<br \/>\nnossa terra, pede muito de n\u00f3s.<br \/>\nEssa \u00e1gua brilhante que corre nos<br \/>\nriachos e rios n\u00e3o \u00e9 apenas<br \/>\n\u00e1gua, mas o sangue de<br \/>\nnossos antepassados. Se lhe vendermos a<br \/>\nterra, voc\u00eas devem lembrar-se de<br \/>\nque ela \u00e9 sagrada, e devem ensinar \u00e0s<br \/>\nsuas crian\u00e7as que ela \u00e9 sagrada e que cada<br \/>\nreflexo nas \u00e1guas l\u00edmpidas dos lagos<br \/>\nfala de acontecimentos e lembran\u00e7as da<br \/>\nvida de meu povo. O murm\u00fario das \u00e1guas<br \/>\n\u00e9 a voz de meus ancestrais.<br \/>\nSabemos que o homem branco n\u00e3o compreende<br \/>\nnossos costumes. Uma por\u00e7\u00e3o da terra,<br \/>\npara ele, tem o mesmo significado que<br \/>\nqualquer outra, pois \u00e9 um<br \/>\nforasteiro que vem \u00e0 noite e extrai<br \/>\nda terra aquilo que<br \/>\nnecessita. A terra n\u00e3o \u00e9 sua irm\u00e3,<br \/>\nmas sua inimiga, e quando ele a<br \/>\nconquista prossegue seu caminho. Deixa<br \/>\npara tr\u00e1s o t\u00famulo de seus antepassados<br \/>\ne n\u00e3o se incomoda. Rapta da terra<br \/>\naquilo que seria de seus filhos e n\u00e3o se<br \/>\nimporta. A sepultura de seu pai e os direitos<br \/>\nde seus filhos s\u00e3o esquecidos. Trata sua<br \/>\nm\u00e3e, a terra, e o seu irm\u00e3o, o c\u00e9u, como<br \/>\ncoisas que possam ser compradas, saqueadas,<br \/>\nvendidas como carneiros ou enfeites<br \/>\ncoloridos. Seu apetite devorar\u00e1 a terra,<br \/>\ndeixando somente um deserto.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 um lugar quieto nas cidades do<br \/>\nhomem branco. Nenhum lugar onde se possa<br \/>\nouvir o desabrochar de flores na primavera<br \/>\nou o bater das asas de um inseto.<br \/>\nMas talvez seja porque eu sou um selvagem<br \/>\ne n\u00e3o compreendo. O ru\u00eddo parece somente<br \/>\ninsultar os ouvidos. E o que resta da<br \/>\nvida se um homem n\u00e3o pode ouvir o choro<br \/>\nsolit\u00e1rio de uma ave ou o debate dos<br \/>\nsapos ao redor de uma lagoa, \u00e0 noite?<br \/>\nO ar \u00e9 precioso para o homem<br \/>\nvermelho, pois todas as<br \/>\ncoisas compartilham o mesmo sopro<br \/>\n&#8211; o animal, a \u00e1rvore, o homem.<br \/>\nParece que o homem branco<br \/>\nn\u00e3o sente o ar que respira.<br \/>\nComo um homem agonizante<br \/>\nh\u00e1 v\u00e1rios dias, \u00e9 insens\u00edvel ao<br \/>\nmau cheiro. Mas, se<br \/>\nvendermos nossa terra ao homem<br \/>\nbranco, ele deve lembrar que o ar \u00e9<br \/>\nprecioso para n\u00f3s, que o ar<br \/>\ncompartilha seu esp\u00edrito com toda a vida<br \/>\nque mant\u00e9m. O vento que deu a nosso<br \/>\nav\u00f4 seu primeiro inspirar tamb\u00e9m recebe<br \/>\nseu \u00faltimo suspiro.<br \/>\nPortanto, vamos meditar sobre<br \/>\nsua oferta de comprar nossa terra.<br \/>\nSe decidirmos aceitar,<br \/>\nimporei uma condi\u00e7\u00e3o: o homem<br \/>\nbranco deve tratar os animais desta<br \/>\nterra como seus irm\u00e3os.<br \/>\nSou um selvagem e n\u00e3o compreendo<br \/>\nqualquer outra forma de<br \/>\nagir. Vi um milhar de<br \/>\nb\u00fafalos apodrecendo na plan\u00edcie,<br \/>\nabandonados pelo homem branco que os<br \/>\nalvejou de um trem ao passar. O que \u00e9<br \/>\no homem sem os animais? Se todos os animais<br \/>\nse fossem, o homem morreria de uma<br \/>\ngrande solid\u00e3o de esp\u00edrito. Pois o que<br \/>\nocorre com os animais breve acontece com<br \/>\no homem. H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o em tudo.<br \/>\nTudo o que acontecer \u00e0 terra acontecer\u00e1<br \/>\naos filhos da terra. Se os homens cospem<br \/>\nno solo, est\u00e3o cuspindo em si mesmos.<br \/>\nIsto sabemos: a terra n\u00e3o pertence ao<br \/>\nhomem; o homem pertence \u00e0 terra.<br \/>\nO homem n\u00e3o tramou o tecido da vida; ele<br \/>\n\u00e9 simplesmente um de seus fios.<br \/>\nTudo o que fizer ao tecido<br \/>\nfar\u00e1 a si mesmo. Mesmo o<br \/>\nhomem branco, cujo Deus caminha<br \/>\ne fala com ele de amigo para<br \/>\namigo, n\u00e3o pode estar<br \/>\nisento do destino comum.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel que sejamos irm\u00e3os, apesar<br \/>\nde tudo. Veremos. De uma coisa estamos<br \/>\ncertos &#8211; e o homem branco poder\u00e1 vir a<br \/>\ndescobrir um dia: nosso Deus \u00e9 o<br \/>\nmesmo Deus. Voc\u00eas podem pensar que O possuem<br \/>\ncomo desejam possuir nossa terra; mas n\u00e3o \u00e9<br \/>\nposs\u00edvel. Ele \u00e9 o Deus do Homem, e Sua<br \/>\ncompaix\u00e3o \u00e9 igual para o homem vermelho e<br \/>\npara o homem branco. A terra lhe \u00e9 preciosa,<br \/>\ne feri-la \u00e9 desprezar seu criador.<br \/>\nOs brancos tamb\u00e9m passar\u00e3o; talvez mais<br \/>\ncedo que todas as outras tribos.<br \/>\nContaminem suas camas e uma noite ser\u00e3o<br \/>\nsufocados pelos pr\u00f3prios dejetos.<br \/>\nMas, quando de sua desapari\u00e7\u00e3o, voc\u00eas<br \/>\nbrilhar\u00e3o intensamente, iluminados pela<br \/>\nfor\u00e7a de Deus que os trouxe a esta terra<br \/>\ne por alguma raz\u00e3o especial lhes deu<br \/>\no dom\u00ednio sobre a terra e sobre o<br \/>\nhomem vermelho.<br \/>\nEste destino \u00e9 um mist\u00e9rio para n\u00f3s, pois<br \/>\nn\u00e3o compreendemos que todos os b\u00fafalos<br \/>\nsejam exterminados, os cavalos<br \/>\nbravios sejam todos domados, os recantos<br \/>\nsecretos da floresta densa impregnada ao<br \/>\nmau cheiro de muitos homens, e a vis\u00e3o dos<br \/>\nmorros obstru\u00edda por fios que falam. Onde<br \/>\nest\u00e1 o arvoredo? Desapareceu. Onde est\u00e1 a<br \/>\n\u00e1guia? Desapareceu. \u00c9 o final da vida<br \/>\ne o in\u00edcio da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta do cacique ao Grande Chefe branco Hist\u00f3ria ver\u00eddica ocorrida no ano de 1854, quando o presidente dos Estados Unidos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":53,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-56","page","type-page","status-publish","hentry"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/P4gyB8-U","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/56","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/56\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":312,"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/56\/revisions\/312"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/53"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}