{"id":174,"date":"2013-06-10T03:02:11","date_gmt":"2013-06-10T06:02:11","guid":{"rendered":"http:\/\/biucsproject.org\/blog\/?page_id=174"},"modified":"2013-06-14T00:17:25","modified_gmt":"2013-06-14T03:17:25","slug":"inspiracao-biologica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/ciencia-da-computacao\/inspiracao-biologica\/","title":{"rendered":"Inspira\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/music\/general\/computer_science_biologica.htm\" height=\"41\" width=\"68\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: x-large;\">&#8220;<i>Inspira\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica em IA<\/i>&#8220;<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: large;\">Jovelino Falqueto, UFSC, Mar\u00e7o, 2002, Florian\u00f3polis, SC.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Courier New'; font-size: small;\"><b>Pg 11 &#8211; 1.1.3.1 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#qsomos\">Quem Somos?<\/a><\/b><br \/>\n<b>Pg 12 &#8211; 1.1.3.2 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#enfoques\">De onde viemos? Para onde vamos? Alguns enfoques de estudo<\/a><\/b><br \/>\n<b>Pg 17 &#8211; 1.2\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#inteligencia\">O que \u00e9 a Intelig\u00eancia?<\/a><\/b><br \/>\n<b>Pg 17 &#8211; 1.2.1\u00a0\u00a0 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#fisicos\">Aspectos &#8220;F\u00edsicos&#8221; da Intelig\u00eancia<\/a><\/b><br \/>\n<b>Pg 18 &#8211; 1.2.2\u00a0\u00a0 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#psicologicos\">Aspectos &#8220;psicol\u00f3gicos&#8221; da Intelig\u00eancia<\/a><\/b><br \/>\n<b>Pg 32 &#8211; 1.4.3\u00a0\u00a0 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#historia\">&#8220;Hist\u00f3ria&#8221; do QI &#8220;Humano&#8221;<\/a><\/b><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"right\"><span style=\"font-family: Arial;\"><b><a name=\"qsomos\"><\/a>1.1.3.1 Quem somos?<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#titulo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retornar ao topo\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/dot_backbutton.jpg\" width=\"32\" height=\"9\" align=\"right\" border=\"0\" \/><\/a><\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">A m\u00e1xima &#8220;Conhece a ti mesmo&#8221;, lan\u00e7ada h\u00e1 mais de 2400 anos por S\u00f3crates (469? &#8211; 399 AC), nos seus famosos &#8220;Di\u00e1logos&#8221; transcritos por Plat\u00e3o, continua hoje t\u00e3o v\u00e1lida quanto nos dias do grande fil\u00f3sofo de Atenas. Muitas pequenas luzes foram acesas na pesquisa das respostas dos temas acima, mas, parece que \u00e0 medida que se avan\u00e7a iluminando o &#8220;t\u00fanel&#8221;, mais extenso ele fica, mais distante fica seu fim.\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Relativamente \u00e0 primeira indaga\u00e7\u00e3o, &#8220;Quem somos?&#8221;, apesar dos promissores avan\u00e7os no conhecimento do corpo humano, sua constitui\u00e7\u00e3o, seu funcionamento, seus problemas ainda s\u00e3o campo quase totalmente aberto \u00e0 ci\u00eancia. Em outras palavras, como \u00e9 feito nosso corpo e nossa consci\u00eancia? Como funciona? Por que envelhecemos? Como evitar ou curar as doen\u00e7as que nos afligem? S\u00e3o algumas indaga\u00e7\u00f5es ainda mal respondidas ou de solu\u00e7\u00e3o completamente ignorada, tanto que nos \u00faltimos dias do s\u00e9culo XX a descoberta do gen\u00f3tipo humano \u00e9, pasme-se, um dos maiores objetivos da ci\u00eancia biol\u00f3gica. De fato, um dos maiores programas governamentais de pesquisa cient\u00edfica da atualidade \u00e9 o Projeto Genoma Humano, iniciado em fins da d\u00e9cada de 80, com o objetivo de mapear a seq\u00fc\u00eancia dos nucleot\u00eddeos formadores dos genes &#8211; segmentos conhecidos das mol\u00e9culas de DNA &#8211; que s\u00e3o respons\u00e1veis pela s\u00edntese das prote\u00ednas necess\u00e1rias aos seres vivos. O principal financiador deste projeto \u00e9 o NIH, Instituto Nacional de Sa\u00fade dos EUA ([MAR 96]) e nele um esfor\u00e7o superior a US$3 bilh\u00f5es foi alocado, tendo sido publicado em fins de junho de 2000 um &#8220;rascunho&#8221; deste imenso trabalho. Mas, ainda mais desafiadoramente, tem-se as profundas indaga\u00e7\u00f5es: somos apenas corpo, mat\u00e9ria, ou, em nossa constitui\u00e7\u00e3o h\u00e1 &#8216;algo mais&#8217;, transcendente, imaterial?<\/p>\n<p align=\"justify\"><i>Quem somos?\u00a0<\/i>a resposta \u00e0 pergunta t\u00e3o simples e curta tem ocupado e preocupado as melhores mentes desde tempos imemoriais. Os antigos gregos, nos legaram documentos explicativos. Dem\u00f3crito (460?-370 A . C.) &#8220;presumiu que todas as coisas eram constitu\u00eddas por uma infinidade de pedrinhas min\u00fasculas, invis\u00edveis, cada uma delas sendo eterna e imut\u00e1vel. A estas unidades m\u00ednimas Dem\u00f3crito deu o nome de \u00e1tomos. &#8230; Mas o que acontece com a consci\u00eancia? Dem\u00f3crito acreditava que a alma era composta por alguns \u00e1tomos particularmente arredondados e lisos, &#8216;os \u00e1tomos da alma'&#8221; [GAA 95, POP 77].<\/p>\n<p align=\"justify\">Quanto ao lado mental, parece que muito pouca coisa se sabe. Talvez inspirado nos gregos, em anos mais pr\u00f3ximos a n\u00f3s, Ren\u00e9 Descartes (1596 &#8211; 1650) criou toda uma obra bem formalizada, dividindo o mundo em dois tipos de subst\u00e2ncias: as mentais e as f\u00edsicas. Estas eram dom\u00ednio da ci\u00eancia e aquelas da religi\u00e3o. Portanto, de acordo com a escola cartesiana, do s\u00e9culo XVII, o homem \u00e9 composto por corpo &#8211; sua parte f\u00edsica &#8211; e mente, ou alma, ou esp\u00edrito &#8211; sua parte imaterial. A esta concep\u00e7\u00e3o chamou-se<i>dualismo<\/i>. Hoje poucos cientistas, tais como Eccles e Popper [POP 77] sustentam a teoria dualista cartesiana de que o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria s\u00e3o dois subsistemas diferentes que interagem. Seria talvez imposs\u00edvel fazer uma m\u00e1quina que aja de modo semelhante ao ser humano se a intelig\u00eancia, a consci\u00eancia e o pensamento exigissem uma componente espiritual no seu funcionamento.<\/p>\n<p align=\"justify\">A outra corrente, que aceita apenas um elemento na composi\u00e7\u00e3o do mundo, inclusive do homem, foi cognominada\u00a0<i>monismo<\/i>. Existem v\u00e1rias outras tend\u00eancias filos\u00f3ficas, cada qual com suas divis\u00f5es e subdivis\u00f5es. Tem havido intensa pol\u00eamica, ao longo dos s\u00e9culos, entre os pensadores de cada linha. Por exemplo, Searle [SEA 84] diz que um de seus objetivos \u00e9 de &#8220;tentar acabar com as velhas categorias esgotadas da Filosofia da mente&#8221;, de acordo com as quais se pode ser &#8220;monista ou dualista. Se for monista, pode-se ser materialista ou idealista. Se for materialista se pode ser behaviorista ou fisicalista. E assim por diante&#8221;. N\u00e3o \u00e9 objetivo deste trabalho entrar em detalhe neste campo. Apenas para ilustrar, resumidamente, &#8220;&#8230; o idealismo diz que o esp\u00edrito \u00e9 eterno, infinito, primeiro: a mat\u00e9ria deriva dele e os fen\u00f4menos do universo se devem \u00e0 for\u00e7as imateriais, ao esp\u00edrito&#8221;&#8230;. Do lado oposto, o materialismo diz que &#8220;a mat\u00e9ria \u00e9 eterna, infinita, primeira e origina o esp\u00edrito. Os fen\u00f4menos do universo s\u00e3o os diversos aspectos da mat\u00e9ria em movimento&#8221; [ARA 93].<\/p>\n<p align=\"justify\">Geralmente os pesquisadores em IA e de ci\u00eancia cognitiva rejeitam o dualismo cartesiano, teorizando ser a consci\u00eancia explic\u00e1vel atrav\u00e9s de um modelo material baseado na implementa\u00e7\u00e3o f\u00edsica de s\u00edmbolos. Outros dizem que a mente \u00e9 a emerg\u00eancia da intera\u00e7\u00e3o de aproximadamente 100 bilh\u00f5es de neur\u00f4nios que comp\u00f5em o c\u00e9rebro humano\u00b3.<\/p>\n<p align=\"justify\">Minsky e Papert [MIN 88b] sugerem que a mente \u00e9 constitu\u00edda de um grande n\u00famero de estruturas especializadas, funcionando em paralelo, com algum mecanismo de controle serial. Ali\u00e1s, em alto n\u00edvel j\u00e1 se sabe que o c\u00e9rebro \u00e9 composto por dois hemisf\u00e9rios separados que trabalham em atividades bastante definidas, sendo o direito intuitivo, criativo, n\u00e3o verbal e o esquerdo mais l\u00f3gico, verbal e de desempenho simb\u00f3lico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Est\u00e1 portanto ainda em aberto a quest\u00e3o\u00a0<i>&#8220;quem somos&#8221;\u00a0<\/i>e mesmo que o ser humano seja s\u00f3 mat\u00e9ria, esta \u00e9 mal conhecida at\u00e9 agora e as quest\u00f5es relativas \u00e0 intelig\u00eancia, tais como: o que \u00e9, como funciona, como surge, etc., est\u00e3o encerradas em uma caixa preta. O conhecido problema corpo-mente resiste quase intocado. Obviamente os pesquisadores da \u00e1rea optam por uma ou outra tend\u00eancia e &#8220;com todo este desacordo sobre o qu\u00ea constitui a intelig\u00eancia, o pensamento e o entendimento, ser\u00e1 necess\u00e1rio algum tempo, antes que defini\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias sejam produzidas&#8221; [TVE 98]. Entretanto, o autoconhecimento do ser humano, necess\u00e1rio para a cria\u00e7\u00e3o de novos entes, passa necessariamente pelo estudo do problema de seu passado e de seu futuro.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"right\"><span style=\"font-family: Arial;\"><b><a name=\"enfoques\"><\/a>1.1.3.2 De onde viemos? Para onde vamos? Alguns enfoques de estudo<\/b><a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#titulo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retornar ao topo\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/dot_backbutton.jpg\" width=\"32\" height=\"9\" align=\"right\" border=\"0\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Dois enfoques entre os poss\u00edveis ser\u00e3o adotados para abordar este tema: o\u00a0<i>evolutivo\u00a0<\/i>e o\u00a0<i>&#8220;f\u00edsico&#8221;<\/i>. De um lado se tem leis que procuram explicar a vida e de outro leis que tentam desvendar os fen\u00f4menos que ocorrem com a mat\u00e9ria.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><b>Enfoque evolutivo<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">O\u00a0<i>enfoque evolutivo<\/i>\u00a0\u00e9 o direcionamento mais adotado pelos cientistas hodiernos para explicar o universo em que habitamos. Pela sua import\u00e2ncia e por ser o fulcro em torno do qual se alavanca todo este texto, o tema foi postergado para ser mais aprofundadamente abordado.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><b>Enfoque &#8220;f\u00edsico&#8221;<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Descobrir e compreender as leis que governam o funcionamento da Natureza como um todo, isto \u00e9, do Universo, seria uma possibilidade de se conseguir respostas \u00e0s duas indaga\u00e7\u00f5es\u00a0<i>&#8220;de onde viemos?&#8221;\u00a0<\/i>e\u00a0<i>&#8220;para onde vamos?&#8221;<\/i>. Da mesma forma com que S\u00f3crates instava seus disc\u00edpulos com o &#8220;conhece a ti mesmo&#8221;, o nobelista Ilya Prigogine constata que &#8220;compreender a Natureza foi um dos grandes projetos do pensamento ocidental&#8221; [PRI 85].<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">De fato, novamente voltando \u00e0s ra\u00edzes gregas, sabe-se que no s\u00e9culo VI AC, em Mileto na \u00b4Asia Menor, ent\u00e3o parte da Gr\u00e9cia, uma escola de s\u00e1bios designou &#8220;physis&#8221; \u00e0 ess\u00eancia das coisas, n\u00e3o tendo um termo especial para designar a mat\u00e9ria, pois at\u00e9 ent\u00e3o o mundo era concebido com uma concep\u00e7\u00e3o monista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pelo s\u00e9culo V AC, os fil\u00f3sofos gregos da linha atomista diferenciavam esp\u00edrito e mat\u00e9ria, sendo esta constitu\u00edda por &#8220;blocos b\u00e1sicos de natureza morta&#8221; e da\u00ed se originou o dualismo. Feita a divis\u00e3o, estes fil\u00f3sofos imediatamente optaram pelo estudo do mundo imaterial, a parte nobre da Natureza, sendo que o fil\u00f3sofo maced\u00f4nico Arist\u00f3teles (384 &#8211; 322 AC) [GRA 76] organizou todo o conhecimento cient\u00edfico at\u00e9 ent\u00e3o existente, deixando claro sua prefer\u00eancia: As quest\u00f5es da alma. Esta op\u00e7\u00e3o foi alegremente aceita pelos estudiosos que o sucederam e tamb\u00e9m encampada pelos seguidores da doutrina da Igreja Crist\u00e3, que teve grande predom\u00ednio no mundo ocidental civilizado de ent\u00e3o, at\u00e9 a \u00e9poca do Renascimento, no s\u00e9culo XVI. Neste intervalo de quase dois mil anos, as ci\u00eancias entraram em est\u00e1gio de hiberna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Galileu Galilei (1564 &#8211; 1642), natural de Pisa, f\u00edsico e astr\u00f4nomo, foi um dos grandes respons\u00e1veis pelo fim da letargia bi-milenar e \u00e9 tido como o primeiro a se interessar pelo estudo da Natureza, com abordagem cient\u00edfica: aliando a experi\u00eancia pr\u00e1tica \u00e0s id\u00e9ias te\u00f3ricas e ao uso da matem\u00e1tica. Seguindo as id\u00e9ias do astr\u00f4nomo polon\u00eas Nicolau Cop\u00e9rnico (1475 &#8211; 1543) e observa\u00e7\u00f5es telesc\u00f3picas pr\u00f3prias, explicou que a terra n\u00e3o era o centro do sistema im\u00f3vel do universo, ao redor da qual os astros se moviam presos a esferas transparentes de cristal &#8211; como afirmava Arist\u00f3teles &#8211; mas girava ao redor do sol. Galileu mostrou enfaticamente a diferen\u00e7a entre o mundo em si mesmo e as id\u00e9ias que dele se faz.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora Galileu n\u00e3o mencione, \u00e9 quase certo que tenha tido algum contato com as id\u00e9ias de seu compatr\u00edcio e conterr\u00e2neo Giordano Bruno (1548 &#8211; 1600), um ex-frade que percorreu diversas cidades da Europa divulgando seus conceitos filos\u00f3ficos originais, junto com os achados de Cop\u00e9rnico, o que devia provocar risos a um mundo para quem o fil\u00f3sofo estagirita era inquestion\u00e1vel. Pregava ainda que &#8220;Deus e a Natureza s\u00e3o uma s\u00f3 coisa; mat\u00e9ria e esp\u00edrito, corpo e alma s\u00e3o duas fases da mesma subst\u00e2ncia; o universo \u00e9 infinito e al\u00e9m do mundo vis\u00edvel h\u00e1 outros mundos, habitados&#8221; [MAS 99], adicionando ainda que o Esp\u00edrito Santo \u00e9 a alma do mundo e Cristo n\u00e3o \u00e9 Deus, mas um mero m\u00e1gico, embora muito habilidoso. Apesar das oportunidades incomuns que lhe foram dadas, n\u00e3o abjurou os erros teol\u00f3gicos que lhe imputavam e foi queimado vivo pela Inquisi\u00e7\u00e3o, a 17 de fevereiro de 1600. No seu livro &#8220;Causa, Princ\u00edpio e Fim&#8221; diz: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 limites ao alto ou embaixo, como ensinou Arist\u00f3teles; n\u00e3o h\u00e1 posi\u00e7\u00e3o absoluta no espa\u00e7o, mas a posi\u00e7\u00e3o do corpo \u00e9 relativa \u00e0 dos outros corpos&#8221;, o que Einstein retomaria tr\u00eas s\u00e9culos depois em sua teoria. Outra frase, que profeticamente parecia endere\u00e7ada a Descartes, j\u00e1 que escrita cinco anos antes de seu nascimento: &#8220;Quem se preocupa com Filosofia tem que trabalhar pondo tudo sob d\u00favida&#8221;<span style=\"font-family: Arial; font-size: xx-small;\"><sup>4<\/sup><\/span>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Descartes j\u00e1 havia implantado um corte claro na Natureza, denominando as duas partes assim obtidas de\u00a0<i>mente\u00a0<\/i>e\u00a0<i>mat\u00e9ria<\/i><span style=\"font-family: Arial; font-size: xx-small;\"><sup>5<\/sup><\/span>, sendo que esta era consubstanciada em objetos que interagiam como numa m\u00e1quina de grandes propor\u00e7\u00f5es: o universo. Este matem\u00e1tico e fil\u00f3sofo franc\u00eas tentou embasar seus estudos do mundo na introspec\u00e7\u00e3o pura, rejeitando as informa\u00e7\u00f5es advindas dos sentidos como &#8220;inconfi\u00e1veis&#8221;, e assim duvidando da pr\u00f3pria exist\u00eancia do mundo e aceitando inicialmente a realidade do seu pr\u00f3prio pensamento. Seu famoso silogismo &#8220;penso, logo existo&#8221;<span style=\"font-family: Arial; font-size: xx-small;\"><sup>6<\/sup><\/span>, estabeleceu sua exist\u00eancia como entidade pensante e inferiu a exist\u00eancia de Deus e por conseq\u00fc\u00eancia do mundo, sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Isaac Newton (1642 &#8211; 1727), por sua vez, formulou matematicamente as leis que explicaram o funcionamento do universo mecanicista cartesiano at\u00e9 o fim do s\u00e9culo XIX. Para Newton, todos os fen\u00f4menos f\u00edsicos tinham lugar em um espa\u00e7o tridimensional absoluto, em repouso e imut\u00e1vel, sujeito aos teoremas da geometria euclidiana e as mudan\u00e7as nele verificadas eram descritas em termos de uma grandeza separada: o tempo. Este tamb\u00e9m era assumido como absoluto e desvinculado do mundo, fluindo uniformemente, do passado para o presente, em dire\u00e7\u00e3o ao futuro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste palco hipot\u00e9tico os componentes da &#8220;m\u00e1quina&#8221; cartesiana se mantinham ligados pela for\u00e7a gravitacional, obedecendo no seu movimento \u00e0s leis da mec\u00e2nica cl\u00e1ssica. Deus criara as part\u00edculas materiais que formavam a terra e os corpos celestes, a for\u00e7a que as unia e as leis que regiam seu movimento, estando o universo sujeito a ditames eternos que permitiam, dadas as condi\u00e7\u00f5es iniciais de um determinado fen\u00f4meno, tanto predizer o futuro quanto retrodizer o passado. O matem\u00e1tico e astr\u00f4nomo franc\u00eas Pierre Simon, marqu\u00eas de Laplace, expressou de forma forte e cristalina esta cren\u00e7a: &#8220;Uma intelig\u00eancia que, num instante dado, conhecesse todas as for\u00e7as de que a natureza \u00e9 animada e a situa\u00e7\u00e3o respectiva dos seres que a comp\u00f5em, se, por outro lado, fosse bastante ampla para submeter esses dados \u00e0 an\u00e1lise, incluiria na mesma f\u00f3rmula os movimentos dos maiores corpos do universo e os do mais leve \u00e1tomo; nada seria incerto para ela, e, tanto o futuro como o passado, seriam presentes aos seus olhos&#8221;. [HUI 64]. Em outras palavras, dadas as posi\u00e7\u00f5es das part\u00edculas num dado instante e as leis que governam seus movimentos, se conheceria a hist\u00f3ria pret\u00e9rita e futura do universo. Estariam respondidas as quest\u00f5es\u00a0<i>&#8220;de onde viemos&#8221;\u00a0<\/i>e\u00a0<i>&#8220;para onde vamos&#8221;<\/i>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Laplace, na sua famosa cole\u00e7\u00e3o &#8220;M\u00e9canique Celeste&#8221; [LAP 69], aplicou as leis de Newton para explicar pormenorizadamente o movimento dos corpos do sistema solar e mostrou que elas lhe asseguravam uma estabilidade auto-reguladora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tendo servido maravilhosamente bem para os fen\u00f4menos f\u00edsicos terrestres e tamb\u00e9m para os corpos celestes conhecidos at\u00e9 ent\u00e3o, a Mec\u00e2nica Newtoniana tamb\u00e9m se mostrou \u00f3tima ferramenta para explicar o movimento dos flu\u00eddos, das vibra\u00e7\u00f5es el\u00e1sticas e at\u00e9 fen\u00f4menos t\u00e9rmicos. Entretanto, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, Michael Faraday (1791 &#8211; 1867) e James C. Maxwell (1831 &#8211; 1879), descobriram fen\u00f4menos el\u00e9tricos e magn\u00e9ticos, como atra\u00e7\u00e3o entre cargas positivas e negativas, n\u00e3o explic\u00e1veis via uma for\u00e7a simples, como a gravitacional. Ent\u00e3o teorizaram que tais cargas criam uma situa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o que as rodeia, de tal forma que outra carga nele localizada sofre uma for\u00e7a. Denominaram campo a esta condi\u00e7\u00e3o, que existe mesmo na aus\u00eancia de outra carga para experiment\u00e1-lo. Os campos t\u00eam exist\u00eancia pr\u00f3pria e n\u00e3o precisam estar ligados a corpos, como as for\u00e7as propostas por Newton e assim a luz, as ondas de r\u00e1dio e todo o espectro eletromagn\u00e9tico s\u00e3o campos el\u00e9tricos e magn\u00e9ticos que podem percorrer o v\u00e1cuo, sem que se possa explicar mecanicamente o fen\u00f4meno.<\/p>\n<p align=\"justify\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XX Albert Einstein (1879 &#8211; 1955) desenvolveu a Teoria Especial da Relatividade, interligando os campos da F\u00edsica Cl\u00e1ssica, isto \u00e9, da Mec\u00e2nica e da Eletrodin\u00e2mica. Nesta teoria o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 mais tridimensional, como o newtoniano, mas forma com o tempo um todo intimamente interligado, quadri-dimensional, chamado espa\u00e7o-tempo. Em 1915, em nova proposta, exp\u00f4s a Teoria Geral da Relatividade, generalizando a Teoria Especial, de modo a englobar a for\u00e7a gravitacional e mostrando que, nos casos de corpos suficientemente compactos, esta for\u00e7a curva o espa\u00e7o ao seu redor. Hoje,\u00a0<i>sempre que se trabalha com fen\u00f4menos que envolvem velocidades pr\u00f3ximas \u00e0 da luz<\/i>, a teoria da relatividade deve ser acionada e nela eventos A e B que, para um observador parecem ser simult\u00e2neos, podem ser ordenados como A tendo ocorrido antes de B por outro observador que se move a velocidade diferente com rela\u00e7\u00e3o aos eventos e mesmo com B antes de A, por um terceiro observador, tudo dependendo de sua velocidade em rela\u00e7\u00e3o aos fen\u00f4menos. Com isto se v\u00ea que o espa\u00e7o e o tempo absolutos de Newton, n\u00e3o valem neste\u00a0<i>&#8220;novo mundo&#8221;<\/i>, permanecendo apenas como elementos explicativos. Os conceitos de espa\u00e7o, tempo, in\u00e9rcia dos corpos e energia, da F\u00edsica Newtoniana, ru\u00edram com a descoberta que o tempo se dilata, passa mais devagar para algu\u00e9m que viaja \u00e0 velocidade compar\u00e1vel \u00e0 da luz. O espa\u00e7o se contrai, diminuindo os corpos animados com altas velocidades e para estes tamb\u00e9m a energia cin\u00e9tica faz com que aumentem sua in\u00e9rcia e tamb\u00e9m sua massa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1900 o f\u00edsico alem\u00e3o Max Planck (1858 &#8211; 1947), notou que a emiss\u00e3o de energia t\u00e9rmica por um corpo negro n\u00e3o se dava de forma cont\u00ednua, mas aos saltos, como em pequenos &#8220;gr\u00e2nulos&#8221; a que, posteriormente, Einstein denominou &#8220;quanta&#8221;. Partindo desta descoberta, um grupo internacional de f\u00edsicos desenvolveu a Teoria Qu\u00e2ntica, onde os elementos subat\u00f4micos t\u00eam aspecto dual: podem aparecer como part\u00edculas ou como ondas, da mesma forma que a luz, os el\u00e9trons e at\u00e9 as mol\u00e9culas, que tamb\u00e9m manifestam a mesma propriedade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma conseq\u00fc\u00eancia extremamente importante advinda da teoria qu\u00e2ntica \u00e9 que ela, como j\u00e1 fizera a relatividade, tamb\u00e9m ajudou a abalar os alicerces da Mec\u00e2nica Cl\u00e1ssica, tirando-a do pedestal que majestaticamente ocupava, desde o s\u00e9culo XVII . De fato, no mundo dos \u00e1tomos ou das part\u00edculas elementares que os comp\u00f5em, viu-se que a Mec\u00e2nica Cl\u00e1ssica era insuficiente ou mesmo contradit\u00f3ria o que motivou o desenvolvimento da Teoria Qu\u00e2ntica. Nesta teoria, o princ\u00edpio da incerteza, de Werner Heisenberg [PRI 85], afirma que \u00e9 poss\u00edvel medir a coordenadas da posi\u00e7\u00e3o relativa de uma part\u00edcula em um sistema, bem como sua\u00a0<i>quantidade de movimento\u00a0<\/i>(produto de sua massa m pela sua velocidade v), mas n\u00e3o simultaneamente. O princ\u00edpio de Heisenberg expressa que, no n\u00edvel subat\u00f4mico, jamais se pode afirmar com certeza que a mat\u00e9ria existe em determinado lugar mas sim que ela pode ocorrer, com tal ou qual probabilidade. V\u00ea-se assim a incompatibilidade fundamental entre a afirmativa de Laplace e a de Heisenberg.<\/p>\n<p align=\"justify\">As leis de Newton poderiam dar a impress\u00e3o, e de fato deram ao menos para alguns cientistas, que o Universo era regido por leis f\u00edsicas imut\u00e1veis, claras, bastando seu conhecimento e aplica\u00e7\u00e3o correta para se escrever a hist\u00f3ria passada e futura, respondendo assim \u00e0s duas indaga\u00e7\u00f5es iniciais. Conforme esta acep\u00e7\u00e3o, adotando a nomenclatura cient\u00edfica, dir-se-ia que o Universo \u00e9 determin\u00edstico: conhecendo-se as causas, poder-se-ia prever os efeitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, a Teoria da Relatividade, tamb\u00e9m abalou os alicerces newtonianos determin\u00edsticos pois demonstrou que as Leis de Newton n\u00e3o se adequam aos fen\u00f4menos da observa\u00e7\u00e3o cosmol\u00f3gica, dos &#8220;grandes objetos celestes&#8221; e nem aos relacionados \u00e0s part\u00edculas subat\u00f4micas, como demonstram os fatos descobertos no s\u00e9culo XX, que originaram a cria\u00e7\u00e3o da F\u00edsica das Part\u00edculas ou F\u00edsica de Alta Energia. Tanto a n\u00edvel macrosc\u00f3pico, como a n\u00edvel microsc\u00f3pico, ficou claro que, estando os objetos de estudo sujeitos a velocidades pr\u00f3ximas \u00e0 da luz, as leis de Newton n\u00e3o serviam para explicar os fen\u00f4menos da Natureza, embora sendo muito \u00fateis para observar os fen\u00f4menos do &#8220;dia a dia&#8221;, do mundo vis\u00edvel, funcionando a velocidades distantes daquela da luz. Por\u00e9m as modernas Teoria da Relatividade e Teoria Qu\u00e2ntica trazem algumas respostas, mas abrem novas indaga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos objetivos primeiros e ainda b\u00e1sicos em f\u00edsica \u00e9 o de se encontrar uma teoria b\u00e1sica universal, completa, que englobe a explica\u00e7\u00e3o de todos os fen\u00f4menos f\u00edsicos. Os f\u00edsicos chamam-na &#8220;teoria de tudo&#8221;. Ainda alguns cientistas persistem em buscar os &#8220;blocos elementares indestrut\u00edveis e imut\u00e1veis que formam a mat\u00e9ria&#8221; [CAP 83], apesar de se ter indica\u00e7\u00f5es fortes de que este conceito n\u00e3o se sustenta, uma vez que se mostrou a cria\u00e7\u00e3o de part\u00edculas, advindas da transforma\u00e7\u00e3o da energia cin\u00e9tica, podendo, de modo inverso, tamb\u00e9m as part\u00edculas se transformar em energia.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 teorias, como a de David Bohm ou a de Geoffrey Chew, que procuram explicar as rela\u00e7\u00f5es entre consci\u00eancia e mat\u00e9ria dentro do contexto cient\u00edfico [BOH 51]. Bohm concebe &#8220;mente e mat\u00e9ria como dependentes e correlatas, embora n\u00e3o ligadas casualmente&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Percebe-se que a tem\u00e1tica at\u00e9 aqui tratada \u00e9 totalmente focada sob o ponto de vista da ci\u00eancia ocidental, que por sua vez deriva de linhas levantadas ainda nos tempos da civiliza\u00e7\u00e3o grega &#8211; que muito herdou da eg\u00edpcia. Este tamb\u00e9m sugou id\u00e9ias de outros povos com quem tinha contatos comerciais ou mesmo b\u00e9licos &#8211; por exemplo o imp\u00e9rio maced\u00f4nico de Alexandre englobou toda a pen\u00ednsula grega, a \u00c1sia e se estendeu a pontos da \u00edndia e da China. Apesar das tr\u00eas teorias principais aqui relacionadas como pilares da ci\u00eancia moderna &#8211; mec\u00e2nicas newtoniana, qu\u00e2ntica e relativ\u00edstica &#8211; serem de origem ocidental, hoje se nota um retorno ao holismo, &#8220;ao m\u00edstico&#8221; [CAP 83] que sempre tem sido o prisma pelo qual o Oriente explica o mundo. Com efeito, j\u00e1 h\u00e1 mais de tr\u00eas mil anos os chineses acreditavam que existe uma energia vital que anima o cosmos, a que denominaram\u00a0<i>Chi<\/i>, superior a todas as coisas do universo. Nesta concep\u00e7\u00e3o existem dois tipos de\u00a0<i>Chi<\/i>, o\u00a0<i>Sheng Chi<\/i>, energia ben\u00e9fica e o\u00a0<i>Sha Chi<\/i>, representando a energia de desarmonia. Nas palavras de Fritjof Capra [CAP 83], &#8220;o\u00a0<i>Chi<\/i>\u00a0\u00e9 concebido como uma forma t\u00eanue e n\u00e3o percept\u00edvel de mat\u00e9ria, presente em todo o espa\u00e7o e que pode condensar-se em objetos materiais s\u00f3lidos &#8230; \u00c0 semelhan\u00e7a do que se verifica na teoria qu\u00e2ntica dos campos, o campo &#8211; o\u00a0<i>Chi\u00a0<\/i>&#8211; n\u00e3o \u00e9 apenas a ess\u00eancia subjacente a todos os objetos materiais como, igualmente, transporta suas intera\u00e7\u00f5es m\u00fatuas sob forma de ondas&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em [ROS 99] se encontra a concep\u00e7\u00e3o chinesa para a mente, o\u00a0<i>&#8220;eu n\u00e3o<\/i>\u00a0<i>biol\u00f3gico&#8221;<\/i>, imaterial, desenvolve-se a partir do\u00a0<i>&#8220;ling&#8221;<\/i>, que s\u00e3o part\u00edculas embrion\u00e1rias, elementares. Esta concep\u00e7\u00e3o lembra o que Dem\u00f3crito ensinava [GAA 95]. A busca por modelos que expliquem quem o homem \u00e9, qual seu passado e qual seu futuro \u00e9 recorrente e universal, como se v\u00ea.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um modelo, uma teoria, serve para averiguar o que ocorreu no passado, explicar o que ocorre no presente e predizer o que ocorrer\u00e1 e se ela faz isto bem, deve ser boa [KUH 62]. Todavia diferentes modelos podem explicar diferentes aspectos de um fen\u00f4meno.<\/p>\n<p align=\"justify\">De fato, por exemplo, o &#8220;esp\u00edrito&#8221; (mente, raz\u00e3o) foi sucessivamente comparado a um moinho (por Leibniz). Posteriormente achou-se que um sistema hidr\u00e1ulico se assemelhava mais ao trabalho do c\u00e9rebro. Com o advento das telecomunica\u00e7\u00f5es, uma mesa comutadora de telefonia seria o modelo mais adequado [SEA 84]. Hoje o sistema fabricado pelo homem, que pode simular o que se presume ser o funcionamento do c\u00e9rebro \u00e9 o computador. Entretanto as estruturas hologr\u00e1ficas, que t\u00eam a caracter\u00edstica de manterem sua ess\u00eancia informativa mesmo quando s\u00e3o seccionadas, parecem mais adequadas a representar o funcionamento cerebral, visto que, mesmo morrendo parte dos seus neur\u00f4nios componentes, a faculdade mental n\u00e3o sofre degrada\u00e7\u00e3o importante. Com os conhecimentos atuais da Inform\u00e1tica, da Psicologia, da Neurologia, da Gen\u00e9tica, da Biologia Molecular e outras ci\u00eancias e com a velocidade com que novos progressos s\u00e3o alcan\u00e7ados, alguns importantes componentes de renomados grupos de pesquisa vislumbraram a possibilidade de se ter em horizonte de tempo n\u00e3o muito longo, computadores que podem ser chamados inteligentes.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: large;\"><b>1.2 O QUE \u00c9 A INTELIG\u00caNCIA<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><span style=\"font-family: Arial;\"><b><a name=\"fisicos\"><\/a>1.2.1 Aspectos &#8220;F\u00edsicos&#8221; da Intelig\u00eancia<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#titulo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retornar ao topo\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/dot_backbutton.jpg\" width=\"32\" height=\"9\" align=\"right\" border=\"0\" \/><\/a><\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">A caracter\u00edstica evolutiva que mais influenciou o estupendo sucesso alcan\u00e7ado em t\u00e3o pouco tempo pela esp\u00e9cie humana (admitindo-se a hip\u00f3tese evolucionista), que no intervalo relativamente pequeno de aproximadamente 100.000 anos (Figura 1.1), dominou praticamente todos os ambientes terrestres e j\u00e1 se lan\u00e7a \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o extra-terrestre, foi sem d\u00favida sua intelig\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/pic_fig_01dot01.jpg\" width=\"681\" height=\"447\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Os 1.200 cm\u00b3 de massa cinzenta da esp\u00e9cie humana, com certeza restitu\u00edram muitas vezes seu peso em termos de progresso aos &#8220;seus donos&#8221;. De fato, desde as savanas africanas, onde grande parte dos pesquisadores atuais situam o surgimento do Homo sapiens [MIT 00], este se aventurou em ambientes bem mais agressivos, sob certos aspectos, que aquele continente quente, como as regi\u00f5es temperadas ou mesmo muito frias, ilhas oce\u00e2nicas, etc. sempre se adaptando e evoluindo. \u00c9 bom frisar que o fato de que ter que se defrontar com obst\u00e1culos impostos pelo meio, como o frio, a \u00e1gua, as florestas, o gelo, etc. fez com que o homem crescesse sempre, em sabedoria, mostrando que quanto mais exigida era sua intelig\u00eancia, mais correspondia \u00e0s necessidades.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Mas o que \u00e9 a intelig\u00eancia? Pode-se estud\u00e1-la sob o ponto de vista filos\u00f3fico, f\u00edsico, computacional, psicol\u00f3gico e outros. Aqui, sobretudo o aspecto computacional interessa, mas, para situar o contexto, tamb\u00e9m os dois primeiros ser\u00e3o abordados. Al\u00e9m do estudo da intelig\u00eancia do ponto de vista filos\u00f3fico, que j\u00e1 era ordem do dia no tempo em que Arist\u00f3teles definiu o homem como &#8220;um ser racional&#8221;, portando atribuindo-lhe dogmaticamente a caracter\u00edstica de exibir a condi\u00e7\u00e3o dual:\u00a0<i>\u00e9 material\u00a0<\/i>&#8211; \u00e9 um ser &#8211; e tamb\u00e9m \u00e9 imaterial:\u00a0<i>\u00e9 racional<\/i>. Adicionalmente Arist\u00f3teles tra\u00e7ou tamb\u00e9m assim uma linha demarcat\u00f3ria clara: por exclus\u00e3o, por n\u00e3o citar, definiu de certa forma que os outros entes que conhecia e que entendia como seres, a saber, talvez, os animais e as plantas (e os deuses!?), n\u00e3o eram racionais. Novamente estes s\u00e3o hoje motivo de controv\u00e9rsia e um grande esfor\u00e7o deve ser dispendido pela comunidade cient\u00edfica da \u00e1rea, para aclarar ou por em n\u00edveis de nomenclatura minimamente &#8220;padronizada&#8221; os trabalhos sobre o assunto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tendo este trabalho seu maior centro de interesse na IA, os aspectos f\u00edsicos, tecnologicamente implement\u00e1veis em m\u00e1quinas, devem ser prioritariamente tratados. Muitos cientistas t\u00eam se esfor\u00e7ado para encontrar solu\u00e7\u00f5es para o problema\u00a0<i>mente-corpo\u00a0<\/i>e a Teoria Qu\u00e2ntica tem sido particularmente invocada para uma explica\u00e7\u00e3o f\u00edsica da consci\u00eancia, j\u00e1 que, como foi procurado \u00e0 exaust\u00e3o, de modo infrut\u00edfero, \u00e9 improv\u00e1vel que ela surja das propriedades cl\u00e1ssicas da mat\u00e9ria, se bem que esta via seja \u00e0s vezes tomada por terem, tanto a consci\u00eancia quanto a Teoria Qu\u00e2ntica, um grau de m\u00e1gica que as torna misteriosas e inating\u00edveis.<\/p>\n<p align=\"justify\">O f\u00edsico americano Henry Stapp [STA 93] sustenta que a F\u00edsica Cl\u00e1ssica n\u00e3o pode explicar a consci\u00eancia, porque nela o todo n\u00e3o pode ser maior que as partes e ent\u00e3o s\u00f3 a F\u00edsica Qu\u00e2ntica poderia se candidatar \u00e0 tarefa. Evan H. Walkers [WAL 00] teorizou um modelo qu\u00e2ntico em que o &#8220;tunelamento&#8221; (passagem de part\u00edculas por barreiras que normalmente seriam intranspon\u00edveis) de el\u00e9trons entre neur\u00f4nios adjacentes, cria uma rede neural virtual sobreposta \u00e0 real, e respons\u00e1vel pela consci\u00eancia. A rede neural real obedece \u00e0s leis cl\u00e1ssicas e a virtual \u00e0s qu\u00e2nticas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Roger Penrose [PEN 94], dos mais renomados f\u00edsicos brit\u00e2nicos atuais, \u00e9 dos fortes entusiastas da consci\u00eancia baseada na Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica, e faz a conjetura de que ela seja a manifesta\u00e7\u00e3o do estado qu\u00e2ntico do cito-esqueleto &#8211; estrutura constitu\u00edda de prote\u00ednas cil\u00edndricas ocas formando micro tubos de di\u00e2metro ao redor de 25 nan\u00f4metros &#8211; que controla as sinapses. Ian N. Marshall [MAR 91] aventa a hip\u00f3tese de que a consci\u00eancia possa se originar da excita\u00e7\u00e3o de condensados de Bose-Einstein [ROB 01]. Estes s\u00e3o fen\u00f4menos qu\u00e2nticos de mudan\u00e7a de fase apresentados pelos \u00e1tomos de algumas subst\u00e2ncias que, quando resfriadas a temperaturas suficientemente baixas (pr\u00f3ximas ao zero absoluto) se comportam de forma coerente e conjunta. Os trabalhos nesta \u00e1rea v\u00eam tendo interesse crescente, como atesta a premia\u00e7\u00e3o dos nob\u00e9is em F\u00edsica de 2001, E. A. Cornell, W. Ketterle e C. E. Wieman, devido aos primeiros estudos fundamentais das propriedades destes condensados.<\/p>\n<p align=\"justify\">O psic\u00f3logo Karl Pribram [PRI 90] sugere o modelo de holograma onde as percep\u00e7\u00f5es sensoriais provocam &#8220;ondas cerebrais&#8221;, um tipo de ativa\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica que se propaga no c\u00e9rebro e cuja interfer\u00eancia m\u00fatua provoca o efeito de holograma, quando uma &#8220;onda de mem\u00f3ria&#8221; se encontra com uma &#8220;onda sensorial&#8221;. O fil\u00f3sofo americano David Chalmers [CHA 96] defende um novo tipo de monismo em que o mundo teria caracter\u00edsticas f\u00edsicas e n\u00e3o f\u00edsicas, mas com acep\u00e7\u00e3o diferente da cartesiana. Para ele, al\u00e9m do espa\u00e7o-tempo, massa, carga, etc., outra grandeza fundamental, ainda desconhecida, seria acrescida \u00e0s existentes, juntamente com as leis &#8220;psicof\u00edsicas&#8221; correspondentes.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"right\"><span style=\"font-family: Arial;\"><b><a name=\"psicologicos\"><\/a>1.2.2 Aspectos &#8220;psicol\u00f3gicos&#8221; da Intelig\u00eancia<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#titulo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retornar ao topo\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/dot_backbutton.jpg\" width=\"32\" height=\"9\" align=\"right\" border=\"0\" \/><\/a><\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Sob o prisma psicol\u00f3gico, um autor muito em voga nestes dias, Howard Gardner [GAR 94] prop\u00f5e um conjunto de sete intelig\u00eancias b\u00e1sicas:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">i) Intelig\u00eancia ling\u00fc\u00edstica;<br \/>\nii) Intelig\u00eancia musical;<br \/>\niii) Intelig\u00eancia l\u00f3gico-matem\u00e1tica;<br \/>\niv) Intelig\u00eancia espacial;<br \/>\nv) Intelig\u00eancia corporal-cinest\u00e9sica;<br \/>\nvi) Intelig\u00eancia intra-pessoal;<br \/>\nvii) Intelig\u00eancia inter-pessoal.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Da mesma forma que, com sete notas, se fazem infinitas m\u00fasicas, com estas intelig\u00eancias fundamentais se comp\u00f5em tantas &#8216;intelig\u00eancias resultantes&#8217; quantas se queira. Para isolar as sete b\u00e1sicas, Gardner apresenta oito pr\u00e9-requisitos:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">&#8211; Isolamento potencial por dano cerebral;<br \/>\n&#8211; Exist\u00eancia de &#8220;idiots savants&#8221; (idiotas prod\u00edgio): indiv\u00edduos excepcionais em alguns dom\u00ednios e med\u00edocres em outros;<br \/>\n&#8211; Opera\u00e7\u00e3o central ou conjun\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es identific\u00e1veis;<br \/>\n&#8211; Hist\u00f3ria desenvolvimental distintiva, aliada a um conjunto defin\u00edvel de desempenhos proficientes de &#8216;expert&#8217; (&#8220;estado final&#8221;);<br \/>\n&#8211; Hist\u00f3ria evolutiva e a plausibilidade evolutiva;<br \/>\n&#8211; Apoio de tarefas psicol\u00f3gicas experimentais;<br \/>\n&#8211; Apoio de achados psicom\u00e9tricos;<br \/>\n&#8211; Susceptibilidade \u00e0 codifica\u00e7\u00e3o em um sistema simb\u00f3lico.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Gardner acha que todo indiv\u00edduo tem em maior ou menor grau uma certa dosagem de cada uma delas, podendo desenvolver umas mais, outras menos, conforme aspectos heredit\u00e1rios aliados a treinamento precoce.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">No in\u00edcio dos anos 90 Daniel Goleman trouxe a &#8220;intelig\u00eancia emocional&#8221; [GOL 95], com a id\u00e9ia de que o sucesso do indiv\u00edduo depende da empatia, compaix\u00e3o e da habilidade que se tem em responder \u00e0 dor ou ao prazer, sendo a base para um bom uso do QI (Quociente de Intelig\u00eancia &#8211;\u00a0<i>&#8220;IQ &#8211; Inteligence Quotient&#8221;<\/i>) tradicional. Os autores Danah Zohar, da Universidade de Oxford e o psiquiatra Ian N. Marshall [ZOH 00] dizem que a antiga &#8220;intelig\u00eancia racional&#8221; medida com o QI e a &#8216;nova&#8217;, emocional (talvez mensur\u00e1vel com o QE &#8211; Quociente Emocional!,\u00a0<i>&#8220;EQ &#8211; Emotional Quotient&#8221;<\/i>) dependem de uma terceira, mais fundamental, a &#8220;intelig\u00eancia espiritual&#8221;, medida pelo QS (Quociente Espiritual &#8211;\u00a0<i>&#8220;SQ &#8211; Spiritual Quotient&#8221;<\/i>). Para eles, os computadores t\u00eam alto QI, os animais podem ter alto QE, mas apenas os humanos exibem o QS, habilidade para ser criativo, mudar regras, alterar situa\u00e7\u00f5es e perguntar\u00a0<i>&#8220;quem somos?&#8221;<\/i>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Enfim, tem-se tantas explica\u00e7\u00f5es para o enfoque &#8220;f\u00edsico&#8221; quantas para o &#8220;psicol\u00f3gico&#8221; e a famosa frase de Theodosius Dobzhansky &#8220;Nada na Biologia tem sentido, exceto sob a luz da evolu\u00e7\u00e3o&#8221; deve, para alguns cientistas, ser estendida \u00e0 Psicologia, ci\u00eancia que estuda os padr\u00f5es de comportamento e de pensamento. Nesta linha eles prop\u00f5em a Psicologia Evolucion\u00e1ria [PIN 97], que se baseia na hip\u00f3tese que a mente \u00e9 feita de \u00f3rg\u00e3os, com pap\u00e9is espec\u00edficos e afirma:<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">1. Cada um destes \u00f3rg\u00e3os \u00e9 uma &#8216;adapta\u00e7\u00e3o&#8217;, isto \u00e9, uma caracter\u00edstica que direta ou indiretamente levou \u00e0 melhora do organismo na habilidade de produzir descend\u00eancia mais adaptada;<\/span><\/p>\n<p>2. A sele\u00e7\u00e3o natural foi a for\u00e7a motriz na forma\u00e7\u00e3o destes \u00f3rg\u00e3os mentais;<\/p>\n<p>3. Isto foi feito no per\u00edodo evolucion\u00e1rio em que nossos ancestrais eram ca\u00e7adores-coletores da savana africana.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Tamb\u00e9m nesta linha de atua\u00e7\u00e3o, em &#8220;Sociedade da Mente&#8221;, Minsky prop\u00f5e um modelo em que a intelig\u00eancia consiste de uma comunidade de agentes cooperativos especializados, cada qual com seu papel, que pode ser o entendimento de dados visuais, comunica\u00e7\u00e3o em linguagem natural e demais atividades mentais [MIN 85]. Jerry A . Fodor [FOD 83], Daniel C. Dennett [DEN 91], entre outros, acompanham esta sugest\u00e3o.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><b><a name=\"historia\"><\/a>1.4.3 &#8220;Hist\u00f3ria&#8221; do QI &#8216;humano&#8217;<a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#titulo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retornar ao topo\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/dot_backbutton.jpg\" width=\"32\" height=\"9\" align=\"right\" border=\"0\" \/><\/a><\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Os psic\u00f3logos franceses Alfred Binet e seu colaborador Theodore Simon, em 1905 propuseram a primeira escala de desenvolvimento intelectual, com o objetivo de medir &#8220;a bela intelig\u00eancia pura&#8221; isto \u00e9, sem interveni\u00eancia de outros fatores [HUI 64]. Surgiu em um trabalho a que foram incumbidos pelo governo franc\u00eas, com a finalidade de estudar formas que assegurassem educa\u00e7\u00e3o adequada \u00e0s crian\u00e7as mentalmente retardadas.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Binet observou que elas resolvem problemas de maneira an\u00e1loga a crian\u00e7as &#8220;normais&#8221;, mais jovens e testou a id\u00e9ia de que o n\u00edvel intelectual pode ser relacionado \u00e0 idade. Fizeram listas de quest\u00f5es empiricamente destinadas a cada idade e abandonaram as quest\u00f5es respondidas erradamente por mais que 25% das crian\u00e7as. Assim se construiu um conjunto de perguntas adaptadas \u00e0 idade da crian\u00e7a, constru\u00eddo supostamente de modo a espelhar o conhecimento m\u00e9dio que hipoteticamente seria dominado pelas crian\u00e7as. Se uma crian\u00e7a responde bem as quest\u00f5es de 8 anos e falha nas de 9, ela teria 8 anos de idade mental. \u00c0 raz\u00e3o entre esta idade, dividida pela idade real foi, mais tarde, dado o nome de\u00a0<i>Quociente de Intelig\u00eancia &#8211; QI\u00a0<\/i>[LAU 01]:<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\"><b>QI = 100 * (Idade mental \/ Idade cronol\u00f3gica)<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">A experi\u00eancia mostrou que o QI tem distribui\u00e7\u00e3o estat\u00edstica muito pr\u00f3xima \u00e0 normal. Por constru\u00e7\u00e3o, o QI m\u00e9dio \u00e9 de 100 e tamb\u00e9m se constatou que dois ter\u00e7os das pessoas &#8211; ditas normais &#8211; ficam entre QI = 85 e QI = 115. Infelizmente logo etiquetou-se as pessoas como mentalmente dotadas (QI 130), d\u00e9beis mentais (QI &lt; 70), idiotas (QI &lt; 50) e imbecis (QI &lt; 20), taxando-as de &#8220;normais&#8221;, &#8220;g\u00eanios&#8221; e assim por diante, com base apenas na fraca evid\u00eancia fornecida pelos escores de QI.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje as faixas abaixo da normalidade passaram a ser denominadas de moderadamente, severamente ou profundamente retardados mentalmente e se admite que os indiv\u00edduos nestas condi\u00e7\u00f5es podem ser, respectivamente, educados, treinados ou devem ser custodiados. Na atualidade, quando estes testes s\u00e3o usados, poucas vezes eles continuam envolvendo idade mental, adotando-se em seu lugar a acep\u00e7\u00e3o do percentual de pessoas de um grupo que teria tal medida de QI. Com este entendimento, nos EUA, por exemplo, existem in\u00fameras sociedades cujos membros s\u00e3o admitidos com testes que supostamente s\u00f3 seriam resolvidos por um determinado percentual das pessoas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O \u00edndice do QI foi inicialmente adotado com entusiasmo por diversas correntes psicol\u00f3gicas, mas logo vozes reticentes, ou liminarmente discordantes, apareceram, apontando que ele depende fortemente da educa\u00e7\u00e3o recebida pelo indiv\u00edduo, do seu meio ambiente social e familiar, etc. Este \u00edndice, no m\u00e1ximo, indicaria uma performance instant\u00e2nea e n\u00e3o uma hist\u00f3ria evolutiva ao longo de um per\u00edodo ou a capacidade futura do indiv\u00edduo, sendo ent\u00e3o de utilidade muito limitada. Sendo obtidas em condi\u00e7\u00f5es artificiais, em ambiente estranho ao habitual, as respostas indicariam tanto o conhecimento j\u00e1 adquirido em fun\u00e7\u00e3o do ambiente a que ele esteve sujeito, quanto a &#8220;bela intelig\u00eancia pura&#8221; propriamente dita, a que Binet se referiu, isto \u00e9, \u00e0 capacidade de adquirir conhecimento.<\/p>\n<p align=\"justify\">O eminente psic\u00f3logo russo Lev S.Vygotsky (1896 &#8211; 1934) [VYG 87], separa o desenvolvimento real, aquele correspondente \u00e0s habilidades dominadas pelo indiv\u00edduo e mensur\u00e1vel por provas adequadas, do desenvolvimento potencial, correspondente \u00e0s habilidades em estado latente, pass\u00edveis de desenvolvimento via aprendizagem. Cria tamb\u00e9m o conceito de &#8220;Zona de desenvolvimento proximal&#8221;, definido como a dist\u00e2ncia que separa os dois est\u00e1gios de desenvolvimento. Este psic\u00f3logo russo, com seus principais colaboradores Luria e Leontiev, sugeriu aos partid\u00e1rios das vis\u00f5es ent\u00e3o existentes de ci\u00eancia natural, contr\u00e1rios aos da vis\u00e3o de ci\u00eancia mental, a nova alternativa S\u00f3cio-Hist\u00f3rica, para a Psicologia. Para Vygotsky os processos psicol\u00f3gicos se modificam qualitativamente ao longo do tempo, e da\u00ed sua conota\u00e7\u00e3o &#8220;hist\u00f3rica&#8221;. O QI definido por Binet, seria no m\u00e1ximo como uma tomada fotogr\u00e1fica instant\u00e2nea do desenvolvimento real. Frise-se que este instant\u00e2neo seria imperfeito, pois estaria necessariamente &#8220;viesado&#8221; pelos aspectos culturais e sociais do meio ambiente em que o indiv\u00edduo estaria imerso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de existir escola que defende ser a intelig\u00eancia heredit\u00e1ria [MUR 94], inata e, em oposi\u00e7\u00e3o, a psicologia &#8220;behaviorista&#8221; que diz ser adquirida, as correntes atuais tendem a conceb\u00ea-la como produto da intera\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e o ambiente, isto \u00e9, h\u00e1 nela tra\u00e7os adquiridos e outros advindos do meio s\u00f3cio cultural. Quais os componentes de cada um? como interagem? s\u00e3o quest\u00f5es objeto de pesquisa [HUT 99].<\/p>\n<p align=\"justify\">A tarefa de medi\u00e7\u00e3o da IA promete valor agregado relevante pois ensejaria instrumento comparativo muito importante entre sistemas inteligentes, tanto de hardware quanto de software. A cria\u00e7\u00e3o de um \u00edndice que desse uma grada\u00e7\u00e3o da Intelig\u00eancia de um sistema, permitiria decidir que sistemas s\u00e3o mais adequados, mais eficientes e baratos e a pr\u00f3pria pesquisa de tal \u00edndice propiciaria possivelmente novas id\u00e9ias e direcionamento de trabalhos na \u00e1rea de IA e outras. Mas, pelos antecedentes colocados, v\u00ea-se que n\u00e3o \u00e9 uma empreitada trivial. De fato, a &#8220;Intelig\u00eancia natural&#8221; parece ser uma adapta\u00e7\u00e3o da Natureza, uma habilidade que evoluiu ao longo das eras biol\u00f3gicas e que aparentemente produziu seu melhor exemplar na Intelig\u00eancia humana [MIT 00]. Com as dificuldades j\u00e1 apontadas na discuss\u00e3o do &#8220;QI humano&#8221;, falar em QI para m\u00e1quinas, configura-se como tarefa ingl\u00f3ria, abord\u00e1vel apenas em &#8220;lato sensu&#8221;, mesmo porque ainda \u00e9 controverso a atribui\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia a m\u00e1quinas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A medida da IA s\u00f3 faz sentido, \u00e0 primeira vista, se ela for definida em termos de fen\u00f4menos f\u00edsicos naturais, mensur\u00e1veis, pois a ci\u00eancia ainda n\u00e3o tem um conjunto de ferramentas ou processos para atacar o mundo imaterial. Parece que esta mensura\u00e7\u00e3o s\u00f3 se efetivar\u00e1 se a hip\u00f3tese do mundo ser de constitui\u00e7\u00e3o monista e materialista for comprovada. Ent\u00e3o o instrumental cient\u00edfico atualmente dispon\u00edvel, ou a ser desenvolvido, seria aplic\u00e1vel e poderia funcionar, eventualmente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entretanto, mesmo entre os puramente materialistas, novas formas de encarar os fen\u00f4menos mentais t\u00eam sido propostas, como as baseadas na moderna F\u00edsica Qu\u00e2ntica [TVE 98].<\/p>\n<p align=\"justify\">A proposta de mensura\u00e7\u00e3o da IA tem que ser precedida da condi\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o do &#8220;qu\u00ea se vai medir&#8221;, para depois estabelecer &#8220;como medir&#8221;. Da discuss\u00e3o anterior sobre os testes de QI e das v\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es existentes sobre a &#8220;Intelig\u00eancia natural, biol\u00f3gica&#8221;, fica evidente que ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel uma defini\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia e, segundo alguns, jamais estar\u00e1, por ser Intelig\u00eancia um conceito aberto, n\u00e3o exato [CAL 94]. No mundo da F\u00edsica, a Teoria Newtoniana foi completada pela Teoria da Relatividade, que por sua vez foi ampliada pela Teoria Qu\u00e2ntica, mas a busca de uma &#8220;Teoria de Tudo&#8221;, apesar dos grandes e seculares esfor\u00e7os, ainda n\u00e3o teve sucesso. Assim tamb\u00e9m uma teoria geral, uma explica\u00e7\u00e3o absoluta da Intelig\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 at\u00e9 agora dispon\u00edvel, talvez porque a mesma n\u00e3o exista ou porque ainda o local correto n\u00e3o foi explorado.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 poss\u00edvel esta mensura\u00e7\u00e3o? Negar \u00e9 problem\u00e1tico, visto n\u00e3o termos conhecimentos suficientes sobre o tema. Al\u00e9m disto, uma comprova\u00e7\u00e3o formal, cl\u00e1ssica, \u00e9 de dif\u00edcil constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para avan\u00e7ar no problema, admita-se a possibilidade de medi\u00e7\u00e3o da IA. Tenha-se \u00e0 vista as dificuldades trazidas pelo fato de ser problema de m\u00faltiplas facetas, como:<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">1. O pr\u00f3prio objeto a ser mensurado n\u00e3o \u00e9 ainda definido;<br \/>\n2. O fato de n\u00e3o se conhecer todas as componentes de uma eventual Intelig\u00eancia e nem se existem v\u00e1rias Intelig\u00eancias;<br \/>\n3. A constata\u00e7\u00e3o de que a Intelig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma &#8216;virtude&#8217; est\u00e1tica de quem a possui mas sim, provavelmente de um processo que se passa entre o sujeito e o meio em que ele atua.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Em raz\u00e3o disto, a fun\u00e7\u00e3o que fizesse a medi\u00e7\u00e3o deveria levar em considera\u00e7\u00e3o esta &#8220;depend\u00eancia&#8221; indiv\u00edduo-ambiente.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">***<\/span><\/p>\n<hr align=\"justify\" \/>\n<p><a href=\"http:\/\/biucsproject.org\/general\/computer_science_biologica.htm#titulo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Retornar ao topo\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/dot_backbutton.jpg\" width=\"32\" height=\"9\" align=\"right\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">\u00b3 O termo c\u00e9rebro \u00e9 utilizado neste texto com a acep\u00e7\u00e3o de enc\u00e9falo, a parte do sistema nervoso central, contida no interior do cr\u00e2nio.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: Arial; font-size: xx-small;\"><sup>4<\/sup><\/span><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">\u00a0&#8220;Who so itcheth to Philosophy must set to work by putting all things to the doubt&#8221;.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: Arial; font-size: xx-small;\"><sup>5<\/sup><\/span><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">\u00a0&#8220;res cogitans&#8221; e &#8220;res extensa&#8221;, respectivamente.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: Arial; font-size: xx-small;\"><sup>6<\/sup><\/span><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">\u00a0&#8220;cogito, ergo sum&#8221;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Inspira\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica em IA&#8220; Jovelino Falqueto, UFSC, Mar\u00e7o, 2002, Florian\u00f3polis, SC. 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