{"id":132,"date":"2013-06-10T02:28:12","date_gmt":"2013-06-10T05:28:12","guid":{"rendered":"http:\/\/biucsproject.org\/blog\/?page_id=132"},"modified":"2013-06-10T02:28:12","modified_gmt":"2013-06-10T05:28:12","slug":"contornos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/biucsproject.org\/blog\/contornos\/","title":{"rendered":"Contornos"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b><span style=\"font-size: xx-large;\">Porque \u00e9 que as coisas t\u00eam contornos?<\/span><\/b><\/p>\n<p align=\"right\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/biucsproject.org\/images\/pic_contornos.jpg\" width=\"375\" height=\"511\" align=\"left\" \/><i>(Gregory Bateson &#8211; Metadi\u00e1logos)<\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Filha:<\/b>\u00a0Pai, porque \u00e9 que as coisas t\u00eam contornos?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0T\u00eam? N\u00e3o sei. A que tipo de coisas te referes?<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Quero dizer, quando desenho coisas, porque \u00e9 que elas t\u00eam linhas que as delimitam?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Bem, e se fossem outras coisas &#8211; um rebanho ou uma conversa&#8230; Essas coisas tamb\u00e9m t\u00eam contornos?<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0N\u00e3o seja assim, pai. N\u00e3o posso desenhar uma conversa. Quero dizer\u00a0<i>coisas<\/i>.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Est\u00e1 bem. Eu estava s\u00f3 a tentar saber o que \u00e9 que tu querias dizer. Isto \u00e9, se &lt;&lt;damos contornos \u00e0s coisas quando as desenhamos&gt;&gt;, ou se &lt;&lt;as coisas t\u00eam contornos quer as desenhemos quer n\u00e3o&gt;&gt;.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0N\u00e3o sei, pai. Diga l\u00e1 o pai. Qual delas \u00e9 a que eu quero dizer?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0N\u00e3o sei, minha querida. Houve um artista inconformado que desenhou toda a esp\u00e9cie de coisas e depois de ter morrido folhearam os seus livros e viram que em determinado s\u00edtio ele escrevera: &lt;&lt;Homens sensatos v\u00eaem contornos e portanto desenham-nos.&gt;&gt; Mas noutro s\u00edtio ele escreveu: &lt;&lt;Homens loucos v\u00eaem contornos e portanto desenham-nos.&gt;&gt;<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Mas qual das coisas queria ele dizer? N\u00e3o percebo.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Bem, William Blake &#8211; \u00e9 esse o nome dele &#8211; foi um grande artista e um homem zangado. E \u00e0s vezes enrolava as suas ideias em bolinhas de papel para as poder atirar \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Mas porque \u00e9 que ele estava maluco, pai?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Porque \u00e9 que ele estava maluco? Oh, j\u00e1 percebo, queres dizer &lt;&lt;zangado&gt;&gt;. Temos de manter estes dois significados muito claros se vamos falar de Blake. Porque muitas pessoas pensaram que ele era doido, doido de facto, maluco. E essa era uma das coisas por que ele se zangava. E tamb\u00e9m se zangava por causa de alguns artistas que pintavam como se as coisas n\u00e3o tivessem contornos. Ele chamava-lhes a &lt;&lt;escola da pieguice&gt;&gt;.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Ele n\u00e3o era muito tolerante, pois n\u00e3o, pai?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Tolerante? Oh, Deus Nosso Senhor. J\u00e1 sei. \u00c9 a lavagem ao c\u00e9rebro que te fazem na escola. N\u00e3o, Blake n\u00e3o era muito tolerante. Nem sequer pensava que a toler\u00e2ncia fosse uma boa coisa. Era s\u00f3 mais pieguice. Ele pensava que desfazia os contornos e misturava tudo, que tornava todos os gatos cinzentos. De tal maneira que ningu\u00e9m seria capaz de ver nada de forma clara e n\u00edtida.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Sim, pai.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 essa a resposta. Quero dizer, &lt;&lt;Sim, pai&gt;&gt; n\u00e3o \u00e9 resposta. Tudo o que &lt;&lt;Sim, pai&gt;&gt; quer dizer \u00e9 que n\u00e3o sabes qual \u00e9 a tua opini\u00e3o e n\u00e3o ligas nenhuma ao que estou a dizer ou ao que Blake dizia e que na escola te confundiram tanto a cabe\u00e7a com o que dizem a respeito da toler\u00e2ncia que j\u00e1 n\u00e3o sabes dizer qual a diferen\u00e7a entre qualquer coisa e outra coisa qualquer.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0(Chora.)<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Oh, meu Deus. Desculpa, mas fiquei zangado. Mas, de facto, n\u00e3o me zanguei contigo. S\u00f3 zangado acerca da maneira pouco limpa como as pessoas actuam e pensam e de como pregam a confus\u00e3o e chamam a isso toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0mas, pai&#8230;<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim?<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0N\u00e3o sei. N\u00e3o me parece que consiga pensar muito bem. Est\u00e1 tudo confuso.<\/p>\n<p>Pai Desculpa. Suponho que te confundi por me ter zangado.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Filha:<\/b>\u00a0Pai!<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim!<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Porque \u00e9 que h\u00e1 coisas que nos fazem zangar?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Que coisas?<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Quero dizer, acerca de se as coisas t\u00eam contornos. Disseste que William Blake se zangava por causa disso. E, depois, tu tamb\u00e9m te zangas por causa disso. Porqu\u00ea, pai?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim, de certa maneira acho que \u00e9 isso. Acho que \u00e9 importante. E outras coisas s\u00f3 s\u00e3o importantes porque est\u00e3o inclu\u00eddas nesta.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0O que \u00e9 que queres dizer, pai?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Quero dizer, bem, deixa-me falar de toler\u00e2ncia. Quando os Gentios se querem meter com os Judeus porque eles mataram Cristo, fico intolerante. Penso que os Gentios est\u00e3o confusos e que est\u00e3o a desfazer os contornos. Porque os Judeus n\u00e3o mataram Cristo, quem o fez foram os Italianos.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Foram, pai?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim, foram. S\u00f3 que os que o mataram se chamavam Romanos e temos outra palavra para os seus descendentes: chamamos-lhes Italianos. V\u00eas, h\u00e1 duas confus\u00f5es e eu fiz a segunda de prop\u00f3sito, de tal maneira que pud\u00e9ssemos identific\u00e1-las. Primeiro h\u00e1 a confus\u00e3o de ter a hist\u00f3ria errada e dizer que foram os Judeus e depois h\u00e1 a confus\u00e3o de dizer que os descendentes devem ser respons\u00e1veis por aquilo que os seus antepassados n\u00e3o fizeram. \u00c9 tudo muito pouco limpo.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Sim, pai.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Bom, vou tentar n\u00e3o ficar zangado outra vez. Tudo o que estou a tentar dizer \u00e9 que a confus\u00e3o \u00e9 qualquer coisa com a qual nos devemos zangar.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Pai!<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim!<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0No outro dia falamos de confus\u00f5es. E agora estamos de facto a falar da mesma coisa?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim, evidentemente que estamos. \u00c9 por isso que \u00e9 importante o que dissemos no outro dia.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0E o pai disse que a ci\u00eancia \u00e9 ter id\u00e9ias claras, n\u00e3o foi?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Foi, \u00e9 outra vez e sempre a mesma coisa.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Filha:<\/b>\u00a0Penso que n\u00e3o percebo tudo muito bem. Parece-me ser tudo sobre outra coisa qualquer e eu perco-me.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim, sei que \u00e9 dif\u00edcil. O ponto \u00e9 que, de qualquer modo, a nossa conversa tem de facto um contorno &#8211; se ao menos o pud\u00e9ssemos ver claramente!<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Vamos mudar de assunto e pensar numa confus\u00e3o concreta, a ver se isso ajuda. Lembras-te do jogo de\u00a0<i>croquet<\/i>\u00a0na\u00a0<i>Alice no Pa\u00eds das Maravilhas<\/i>?<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Sim, com os flamingos?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Exactamente.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0E porcos-espinhos como bolas?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0N\u00e3o, ouri\u00e7os-caixeiros. Eram ouri\u00e7os-caixeiros. Em Inglaterra n\u00e3o h\u00e1 porcos-espinhos.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Oh, era em Inglaterra, pai, n\u00e3o sabia.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Claro que era em Inglaterra. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 duquesas na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Mas h\u00e1 a duquesa de Windsor, pai.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0H\u00e1, mas ela n\u00e3o tem picos, pelo menos como um porco-espinho de verdade.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0V\u00e1 l\u00e1, pai, diga l\u00e1 da Alice, e n\u00e3o seja assim.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Est\u00e1 bem, est\u00e1vamos a falar de flamingos. O ponto \u00e9 que o homem que escreveu\u00a0<i>Alice<\/i>\u00a0estava a pensar nas mesmas coisas em que n\u00f3s estamos. E divertiu-se a si pr\u00f3prio com a pequenina Alice, imaginando um jogo de\u00a0<i>croquet<\/i>\u00a0que seria todo uma confus\u00e3o. Imaginou que se deviam usar flamingos como tacos porque, quando os flamingos curvassem a cabe\u00e7a, o jogador n\u00e3o poderia saber se o seu &lt;&lt;taco&gt;&gt; batia na bola e como \u00e9 que batia.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0E, al\u00e9m disso, a bola podia ir-se embora por vontade pr\u00f3pria, porque era um ouri\u00e7o-caixeiro.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Exactamente. Era t\u00e3o confuso que ningu\u00e9m poderia dizer o que ia acontecer a cada momento.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0E os arcos tamb\u00e9m andavam por ali \u00e0s voltas porque eram soldados.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0\u00c9 verdade. Tudo se podia mover e ningu\u00e9m podia dizer como \u00e9 que se movia.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Teve tudo de ser &lt;&lt;vivo&gt;&gt; para se fazer uma confus\u00e3o completa.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0N\u00e3o, ele podia ter gerado uma confus\u00e3o fazendo&#8230; n\u00e3o, suponho que tens raz\u00e3o. \u00c9 interessante. Sim, tinha de ser assim. Espera um pouco. \u00c9 curioso, mas tens toda a raz\u00e3o. Porque, se ele tem misturado as coisas de outra maneira qualquer, os jogadores poderiam aprender como lidar com os pormenores que fossem confusos. Isto \u00e9, sup\u00f5e que a relva era aos altos e baixos, ou que as bolas eram de forma estranha, ou que as cabe\u00e7as dos &lt;&lt;tacos&gt;&gt; eram s\u00f3 moles, em vez de serem &lt;&lt;vivas&gt;&gt;, ent\u00e3o as pessoas ainda poderiam aprender e o jogo seria s\u00f3 mais dif\u00edcil, mas n\u00e3o seria imposs\u00edvel. Mas, uma vez que introduzes coisas vivas no jogo, torna-se imposs\u00edvel. N\u00e3o estava \u00e0 espera disto.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0N\u00e3o estava, pai? Eu estava. A mim parece-me natural.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Natural? Claro, bastante natural. Mas eu n\u00e3o estava \u00e0 esperar que fosse assim.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Porque n\u00e3o? Eu, era do que estava \u00e0 espera.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim, j\u00e1 sei. Mas eu \u00e9 que n\u00e3o estava \u00e0 espera disto, que os animais conseguem prever coisas e actuar de acordo com o que pensam que vai acontecer: um gato pode apanhar um rato saltando para cair exactamente onde est\u00e1 o rato no fim do salto&#8230; Mas \u00e9 exactamente o facto de os animais serem capazes de prever e de aprender que os torna as \u00fanicas coisas, de facto, imprevis\u00edveis no mundo. E pensar que tentamos fazer leis como se as pessoas fossem muito regulares e previs\u00edveis!<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Ou fazem-se as leis exactamente porque as pessoas n\u00e3o s\u00e3o previs\u00edveis e os que as fazem gostariam que os outros fossem previs\u00edveis?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim, suponho que \u00e9 mais ou menos isso.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Filha:<\/b>\u00a0De que est\u00e1vamos a falar?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0n\u00e3o sei exactamente, ainda n\u00e3o. Tu come\u00e7aste um caminho novo ao perguntar se o jogo de\u00a0<i>croquet<\/i>\u00a0s\u00f3 podia ser transformado numa real confus\u00e3o se todas as coisas que entram nele fossem &lt;&lt;vivas&gt;&gt;. E eu fui atr\u00e1s dessas perguntas e penso que ainda n\u00e3o a apanhei completamente. H\u00e1 qualquer coisa engra\u00e7ada a respeito desse ponto.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0O qu\u00ea?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0N\u00e3o sei. Ainda n\u00e3o sei. Qualquer coisa a respeito de coisas vivas e da diferen\u00e7a entre elas e as coisas n\u00e3o vivas: m\u00e1quinas, pedras, etc. Os cavalos n\u00e3o condizem com um mundo de autom\u00f3veis. E isto \u00e9 parte do mesmo ponto. S\u00e3o imprevis\u00edveis, como os flamingos no jogo de\u00a0<em>croquet<\/em>.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0E a respeito das pessoas, pai?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0O que \u00e9 que h\u00e1 a respeito delas?<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Bem, est\u00e3o vivas! Condizem? Quero dizer, com as ruas da cidade?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0N\u00e3o, suponho que realmente n\u00e3o condizem &#8211; somente por despenderem muito esfor\u00e7o a proteger-se e a fazer-se condizer. Sim, t\u00eam de se tornar previs\u00edveis, porque sen\u00e3o as m\u00e1quinas ficam zangadas e matam-nas.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0N\u00e3o seja parvo, pai. Se as m\u00e1quinas podem ficar zangadas, ent\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o previs\u00edveis. S\u00e3o como o pai. N\u00e3o pode prever quando \u00e9 que vai ficar zangado, ou pode?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0N\u00e3o, suponho que n\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Mas, pai, \u00e0s vezes prefiro que o pai seja imprevis\u00edvel.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Filha:<\/b>\u00a0O que \u00e9 que o pai queria dizer com uma conversa ter um contorno? Esta conversa teve um contorno?<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Oh, sim, de certeza. Mas ainda n\u00e3o o podemos ver, porque ainda n\u00e3o acabamos de conversar. Nunca se pode ver o contorno enquanto se est\u00e1 no meio da conversa. Porque, se pud\u00e9ssemos v\u00ea-lo, seria previs\u00edvel &#8211; e n\u00e3o s\u00f3 cada um de n\u00f3s, mas ambos juntos, ser\u00edamos previs\u00edveis.<\/p>\n<p><b>Filha:<\/b>\u00a0Mas&#8230; n\u00e3o compreendo. O pai diz que \u00e9 importante ser claro a respeito das coisas. E fica zangado com as pessoas que confundem os contornos. Pensamos tamb\u00e9m que \u00e9 melhor ser imprevis\u00edvel, e n\u00e3o ser como uma m\u00e1quina. E o pai diz que n\u00e3o podemos ver os contornos da nossa conversa at\u00e9 que ela acabe. Ent\u00e3o tanto faz que seja claro como n\u00e3o. Porque ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o podemos fazer nada a esse respeito.<\/p>\n<p><b>Pai:<\/b>\u00a0Sim, eu sei. Talvez. Mas, de qualquer maneira, quem \u00e9 que quer fazer alguma coisa a esse respeito?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque \u00e9 que as coisas t\u00eam contornos? 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